sexta-feira, 19 de outubro de 2018

24 ANOS DE FUNDAÇÃO DO SEMINÁRIO MAIOR



O Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição celebrou seu vigésimo aniversário de fundação. De fato, a ocasião reclama uma celebração gaudiosa dada a relevância do que este seminário significa para a formação do clero local, bem como  sua reconhecida contribuição a formação dos cleros de dioceses além da Província de Aracaju.
Era 7 de outubro de 1994 quando Dom Luciano Cabral Duarte (arcebispo de Aracaju), Dom José Palmeira Lessa (até então bispo de Propriá) e Dom Hidelbrando (Bispo de Estância) acordaram em reunião na cúria metropolitana de Aracaju a criação do Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição. A medida buscava corresponder a uma necessidade urgente. Pois, além da escassez de vocações a formação dos vocacionados era fracionada em Seminários espalhados pelo país. Assim, a fomentação da criação do Seminário em Aracaju afinava-se com a prescrição canônica que afirma: “é dever e direito próprio e exclusivo da Igreja formar os que se destinam aos ministérios sagrados.” (Cân. 232). Nesse ínterim, considerando as exigências particulares de cada Igreja e visando uma formação personalizada, o seminário local proporcionaria uma maior eficiência. (cf. Cân. 245 - § 2).
Desta forma, para dar início as atividades do Seminário, na mesma reunião fora nomeado como primeiro reitor, o padre Carlos Alberto (atual bispo de Itabuna/BA). De modo um tanto improvisado, a primeira turma do seminário de Aracaju, constituído por oito seminaristas,instalou-se no Convento São Francisco de Assis, cidade de São Cristóvão.  Com o aumento do número de seminaristas, foi necessário transferir a sede do seminário do Convento em São Cristóvão para a sede do Seminário Menor, no bairro Industrial de Aracaju; até que no 2000 deu-se início a construção da sede na qual até hoje o seminário está instalado, no bairro Lamarão em Aracaju.
O crescimento do Seminário em números de vocações assim como organização estrutural e acadêmica é fruto do crescimento de uma cultura vocacional na comunidade católica de Sergipe. E, nesse sentido, a Oração pelas vocações sacerdotais e religiosas escrita por Dom Luciano na Sacristia da Capela São Salvador, centro de Aracaju, foi responsável por criar essa cultura de promoção, abertura e manutenção das vocações. O povo pediu ao Senhor da messe pastores segundo Seu coração e Ele assim lhe concedeu.
A Igreja reconhece que a formação do futuro clero é uma tarefa para a qual se deve dedicar atenção. Os tempos hodiernos, por sua complexidade, mais do nunca, exigem essa determinada atenção. De modo que, no seminário a formação não se ocupa em primeira instância com números de seminaristas, mas, sobretudo com a “formação integral” dos candidatos - protagonistas da formação - ao sacerdócio ministerial. Por isso cada seminário deve compor seu projeto formativo (cf. Ratio Fundamentalis, 2016, nº 10), isto é, um “itinerário” que efetive as etapas pedagógicas da formação em suas dimensões, isto é, espiritual, intelectual, humano-afetiva, comunitária e missionária-pastoral. Apesar de todos os desafios, a vida comunitária no seminário dá testemunho da fraternidade evangélica para a qual Jesus Cristo chamou os seus discípulos. O seminário é o lugar para estar e se configurar a Cristo, o Sumo Eterno Sacerdote. (cf. Hb. 2, 9).
Nesse sentido, a celebração de aniversário do seminário significa a oportunidade de uma reflexão, além de histórica, que busca dar cumprimento e continuidade a obra de Cristo: um pastoreio segundo seu Sagrado Coração, como afirma a Pastores Dabo Vobis. (cf. nº 2). Atualmente, além de formar os seminaristas da Aracaju, Estância e Propriá, estudam em nossa casa os seminaristas de Grajaú/Ma e Itabuna/Ba. O corpo formativo é composto com pelo padre Jefferson Pinheiro (reitor), padre Eugenio (Vice reitor e ecônomo), o padre Pedro Vidal (diretor espiritual) e o padre Helelon Bezerra (diretor acadêmico).
 Para marcar a passagem do vigésimo quarto ano de fundação e preparar os seus vinte e cinco anos, o seminário recebeu diversas comunidades, grupos, apostolados e movimentos que abrilhantaram o momento.


No dia 2 de outubro, presidiu a Santa Missa o bispo auxiliar de Fortaleza/CE, Dom Valdemir Vicente. Esta presença muito significou tendo em vista que Dom Valdemir é representante daquela primeira turma que inaugurou o seminário, Eleito em julho do ano corrente, Dom Valdemir tornou-se o primeiro bispo formado neste seminário. Na ocasião, pelas mãos de Dom Valdemir, com as respectivas licenças dos seus bispos ordinários, na forma do rito, foram instituídos leitores os seminaristas Josivan Luna (Grajaú-Ma), Leandro Flores e Lucas Rafael (Aracaju). Na homilia, o bispo chamou a atenção dos seminaristas para necessidade de uma perseverança vocacional pautada pela fidelidade ao Evangelho. A celebração, concelebrada pelos padres reitor e diretor espiritual da casa, bem como pelos padres Aécio Cruz, Jailson Bezerra e Valdson, contava com religiosas, membros da pastoral carcerária arquidiocesana, seminaristas e alguns dos seus familiares.



Da esquerda para a direita: Diác. Antônio; Pe. Valmir; Pe. Valdson; Pe. Jefferson; Dom. Valdemir; Pe. Pedro Vidal; Pe. Aécio;  Pe. Anderson Gomes; Pe. Jailson Bezerra e os três seminaristas leitores: Josivan, Leandro e Lucas Rafael.

       No dia 3, Dom João José, arcebispo de Aracaju, presidiu a celebração concelebrada pelo reitor, diretor espiritual, além dos padres Rubens e Joselito Santana. Na mesma celebração o arcebispo admitiu às ordens sacras o seminarista Alberlan Rodrigues. A admissão as ordens sacras reconhece o seminarista como candidato ao sacerdócio, por isso o rito prescrito pelo Pontifical Romano chama-lhe a uma preparação mais comprometida com o serviço à Igreja. A celebração foi animada pelo Coral da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, (do bairro Porto Dantas, Aracaju) e contava com a presença de leigos da paróquia Nossa Senhora do Carmo (no Alto da Jaqueira), Sagrada Família (Pau Ferro), e ainda do SAV (serviço de animação vocacional) e do Serra Club.






No dia 4, Dom Carlos Alberto, celebrou a Santa Missa e recordou na homilia a história daquele dia em que o seminário fora fundado. Ressaltou que o momento foi da grande aprendizagem dadas as dificuldades dos primeiros momentos do seminário e reconhecendo com gratidão chamou atenção para a continuação da missão de formar. Os seminaristas, por sua vez, retribuíram-lhe em gratidão pela contribuição de sua parte, pela presença, mas também pela passagem de sua aniversário com uma singela lembrança.

Já no dia 5, celebrou a Santa Missa o bispo de Grajaú-Ma, Dom Rubival, tendo como concelebrantes Dom Giovanni Crippa (bispo de Estância), além do Padre Jefferson e Padre Pedro. Na homília, Dom Rubival chamou a atenção para a urgência missionária que deve marcar a vida dos vocacionados como resposta generosa ao chamado que Deus faz a toda a Igreja. Destacou ainda a importância da relação entre as dioceses no processo de formação comprometido com a fraternidade de uma Igreja que vence as tendências ensimesmadas da modernidade. Ao final da Santa Missa os fieis leigos da comunidade bem como membros do Movimento de Cursilhos de Cristandade e das Equipes de Nossa Senhora assistiram a reprodução um curta contando a história do seminário com entrevistas e dados históricos.





No dia 6, encerramento das celebrações, Dom Giovanni Crippa celebrou a Santa Missa em memória de Nossa Senhora, oferecendo-A em ação de graças pelo aniversário do seminário e também pela passagem de seu sexagésimo ano de vida. Na ocasião concedeu o Ministério de Leitor os seminaristas Danilo Santos e Romário. Concelebraram a Santa Missa diversos padres da diocese de Estância, da Arquidiocese de Aracaju e os padres do corpo formativo. A celebração foi seguida por diversas homenagens e deu início a preparação dos vinte e cinco anos






domingo, 30 de setembro de 2018

BÍBLIA



Ide pelo mundo, proclamando a boa notícia a toda a humanidade. (cf. Mc 16, 15).
Em decorrência da festa de São Jerônimo – o primeiro a traduzir a Bíblia do grego para o latim – que acontece em 30 de setembro, a Igreja no Brasil apresenta a Sagrada Escritura como tema a ser aprofundado e vivenciado durante o mês de setembro. Em 2018, portanto, trabalhar-se-á o livro da Sabedoria.
Numa prática que visa dinamizar a vida pastoral de maneira catequética, já se tornou costume no Brasil eleger um tema a ser aprofundado em cada mês. Assim, tivemos em agosto o mês dedicado as Vocações; estivemos vivenciando em setembro o mês da Bíblia, em seguida teremos em outubro o mês das Missões, em novembro o mês dos Fieis defuntos e assim sucessivamente. Porém, a partir dessa divisão temática que acontece ao longo do ano, muitas vezes se tem a tentação de vivenciar cada realidade enfatizada somente naquele determinado mês e de maneira isolada. Isso pode significar um grande erro de interpretação da proposta feita pela Igreja. Posto que, a divisão é feita para que em um determinado período a temática possa ser aprofundada, pesquisada, debatida. No entanto a vivência dessas dimensões da fé, isto é, a meditação sobre as Sagradas Escrituras, as Vocações, a Oração pelas Missões e pelos Fieis defuntos, deve se dá ao longo de todo o ano.
Há de se convir que conhecer as Sagradas Escrituras é uma obrigação de todos os cristãos, pois como dizia São Jerônimo, “conhecer a Bíblia é conhecer a Cristo, ignorar a Bíblia é ignorar a Cristo”. Isso porque, toda a Sagrada Escritura fala sobre Jesus. Uma vez que o Antigo Testamento é prefiguração e anúncio da vinda do Senhor, enquanto que o Novo Testamento é o cumprimento daquela Promessa feita ao Povo de Israel: “e o Verbo se encarnou e habitou entre nós”. (cf. Jo 1, 14).
Disto isso, urge uma necessidade: precisamos criar o habito de ler a Sagrada Escritura todos os dias, porém, não numa leitura feita de qualquer jeito, desatenta, ou simplesmente para cumprir preceito. Somente ler por ler, não. É preciso fazê-lo em forma de oração, meditando cada palavra, fazendo a chamada Lectio Divina, uma leitura feita em quatro passos, buscando entender o que o texto diz em si; o que o texto diz para mim; o que o texto me faz dizer a Deus e por fim, a construção de um propósito de vida sob à luz da meditação feita durante esse momento de oração com a Palavra de Deus.
É necessário que cada cristão tenha uma intimidade profunda com a Palavra de Deus. O tempo de se ter uma bíblia em casa aberta no Salmo 90, desprezada, recebendo a poeira do que está esquecido, sendo usada como objeto de decoração, ou pior, como um amuleto, já passou. Hoje é tempo de fazer experiência, de meditar junto com a família. É tempo de aproveitar as oportunidades de formação bíblica disponíveis nas comunidades, bem como dos círculos ou aprofundamentos bíblicos existentes. Haja vista que todo o cristão católico é chamado à missão, ao anúncio do kerigma (κήρυγμα), ao anúncio de Cristo que se testemunha por meio da vivência da fé, não lhe basta ser cristão por declaração, tal como estatística do IBGE. Este cristão que assim intitula-se por tradição cultural e que não conhece nem a Cristo, nem a Sua Palavra, tampouco a catequese da Santa Mãe Igreja, negligencia a experiência de fé à qual foi iniciado no dia de seu batismo.
É preciso despertar das garras de uma cultura que tenta relativizar tudo, até mesmo as verdades de fé. Não sejamos mais uma sociedade que só quer seguir o Cristo glorioso, esquecida da cruz que antecede a glória, pois o próprio Cristo disse aos seus discípulos e continua a nos dizer na voz da Igreja: “se alguém quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga”. (cf. Lc. 9, 23). Só faremos uma verdadeira experiência com Jesus se o conhecermos. Esse conhecimento é um encontro com Ele que Se nos dá por meio da Palavra, dos sacramentos, da vivência eclesial... É preciso encontrar meios para fazer uma verdadeira experiência, pois a partir daí poderemos dizer verdadeiramente que somos cristãos e assim assumiremos responderemos sincera e autenticamente à vocação ao discipulado missionário, sobre o qual nos fala a Conferência de Aparecida.

*Leandro F. Santos, alagoano, de Arapiraca, é seminarista da Arquidiocese de Aracaju. Estuda no 3º ano do curso de bacharelado em teologia e é agente de pastoral na Paróquia Sagrado Coração de Jesus (Bairro Grageru, Aracaju) e da Pastoral Carcerária.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

O MÊS DA BÍBLIA



Dom João José Costa- Arcebispo de Aracaju-SE
Começou o mês de setembro, que para nós católicos do Brasil é o mês dedicado à Bíblia, desde 1971. É uma iniciativa digna de louvor. Todavia, desde 1947, o Dia da Bíblia é comemorado no último domingo de setembro. O mês de setembro foi escolhido como mês da Bíblia porque o dia 30 de setembro é dia em que a Igreja celebra a memória de São Jerônimo, que nasceu em 340 e faleceu em 420 da era cristã.
São Jerônimo foi um grande biblista, doutor da Igreja, e a ele coube, a pedido do Papa Dâmaso, de quem foi secretário, traduzir a Bíblia dos originais (hebraico e grego) para o latim, que naquela época era a língua falada no mundo dito civilizado, e usada na liturgia da Igreja. A tradução realizada por São Jerônimo é chamada de Vulgata. Foi um trabalho gigantesco que durou cerca de 35 anos.

A denominação Vulgata consolidou-se na primeira metade do século XVI, sobretudo a partir da edição da Bíblia de 1532, tendo sido definitivamente consagrada pelo Concílio de Trento, em 1546. O Concílio estabeleceu um texto único para a Vulgata a partir de vários manuscritos existentes, o qual foi ratificada mais uma vez como a Bíblia oficial da Igreja, confirmando assim os outros concílios desde o século II, e a essa versão ficou conhecido como Vulgata Clementina.
Atualmente a Igreja Católica utiliza a “Nova Vulgata”, recentemente traduzida conforme os métodos científicos mais modernos. Na verdade, após o Concílio Vaticano II, por determinação de Paulo VI, foi realizada uma revisão da Vulgata, sobretudo para uso litúrgico. Esta revisão, terminada em 1975, e promulgada pelo Papa João Paulo II, em 25 de abril de 1979, é denominada Nova Vulgata e ficou estabelecida como a nova Bíblia oficial da Igreja Católica .
No Brasil, para o uso litúrgico, é empregada a “Bíblia Sagrada Tradução da CNBB”, que em sua apresentação informa: “Foi levada em consideração, sistematicamente, a nova tradução oficial [a Nova] ‘Vulgata’. Como recomenda o Concílio Vaticano II (Dei Verbum, n. 22), a tradução se baseia, pois, nos textos originais hebraicos, aramaicos e gregos, cotejados criteriosamente com a Nova Vulgata, ela mesma baseada nos documentos originais”.
Hoje, a Bíblia é o único livro que está traduzido em praticamente todas as línguas do mundo e está em quase todas as casas da cristandade. A Bíblia é, de longe, o livro mais vendido, distribuído e impresso em toda a história da humanidade.
A Bíblia – Palavra de Deus – é o fruto da comunicação entre Deus que se revela e a pessoa que acolhe e responde à revelação. Por isso, pode-se dizer que a Bíblia relata a história de um povo, o Povo de Deus, que teve o dom de interpretar sua realidade à luz da presença de Deus e compreender que a vida é um projeto de amor que parte de Deus e volta para Ele.
Nesse mês da Bíblia, somos convidados a estudar e refletir sobre esse maravilhoso livro que tem tanto a nos revelar e instruir. Todos os católicos devem ler e procurar compreender as mensagens de Deus para nós, que foram escritas por escritores sagrados sob a inspiração do Espírito Santo.
O que significam as palavras de Deus contidas na Bíblia, para nós? A resposta pode muito bem ser buscada no seguinte versículo: “Quão saborosas são para mim vossas palavras, mais doces que o mel à minha boca” (Sl 118, 103). Assim são as palavras de Deus, que nos foram transmitidas e que nelas devemos pautar as nossas vidas. As palavras de Deus alumiam o nosso viver, a nossa caminhada em busca da santificação. Diz, ainda uma vez, o salmista: “Vossa palavra é um facho que ilumina meus passos. E uma luz em meu caminho” (Sl 118, 105).
Conhecer a Palavra de Deus é fundamental para todo cristão. A Carta aos hebreus diz que “a Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes, e atinge até à divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4,12).
Jesus conhecia profundamente a Sagrada Escritura e a citava. Isso é mais do que suficiente para que todos nós façamos o mesmo. Na tentação do deserto ele venceu o demônio lançando em seu rosto, por três vezes, a santa Palavra. Quando o tentador pediu que Ele transformasse as pedras em pães, para provar Sua filiação divina, Jesus lhe disse: “O homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor” (Dt 8,3). Quando o tentador exigiu que Ele se jogasse do alto do templo, Jesus respondeu: “Não tentarás o Senhor vosso Deus” (Dt 6,16a). E quando Satanás tentou fazer com que Ele o adorasse, ouviu mais uma vez a Palavra de Deus: “Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a ele servirás” (Dt 6,13).
O demônio não tem força diante da Palavra de Deus lançada em seu rosto; por isso, cada um de nós precisa conhecer o poder dela. É preciso ler e estudar a Bíblia regularmente, e, se possível, todos os dias; aquecer o coração e a alma com um trecho dela; e saber usá-la nos momentos de dor, dúvida, angústia, medo, tomada de decisão, louvor, agradecimento, súplsúplica etc. Abra a Palavra, deixe Deus falar ao seu coração. E fale com Deus. Ler a Palavra é a maneira mais fácil de rezar.
Desse o Senhor servindo-se da boca do profeta Isaías: “Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não voltam sem ter regado a terra, sem a ter fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado a minha vontade e cumprido a sua missão” (Is 55,10).
A palavra de Deus é transformadora, santificante. São Paulo explica isso a Timóteo, com toda convicção: “Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para persuadir, para corrigir e formar na justiça” (2Tm 3,16).
A Palavra de Deus é, portanto, um instrumento indispensável para a nossa santificação. Não conseguiremos ter “os mesmos sentimentos de Cristo” (Fil 2,5) sem ouvir, ler, meditar, estudar e conhecer a sua santa palavra. São Jerônimo, dizia que “quem não conhece o Evangelho não conhece Jesus Cristo”.
É preciso estudar a Bíblia, fazer cursos bíblicos, porque nem sempre sua leitura é fácil de ser compreendida. Ela não é um livro de ciência, mas, sim, de fé. Utilizando os mais diversos gêneros literários, ela narra acontecimentos da vida de um povo guiado por Deus, atravessando os mais variados contextos sociais, políticos, econômicos etc. Por isso, a Palavra de Deus não pode sempre ser tomada ao “pé da letra”, embora muitas vezes o deva ser. “Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2 Cor 3,6).


Fonte: CNBB- NORDESTE 3 - LINK: https://www.cnbbne3.org.br/15737-2/

LITERATURA E FILOSOFIA: relação entre liberdades



Francisco Alves*
“O homem não coincide consigo mesmo”, afirma Fiódor Dostoiévski em uma de suas máximas. O homem é uma questão para si próprio. É um ser que está aberto ao mundo como pura liberdade. Sendo livre, sua liberdade é muito mais uma questão que, evidentemente, nunca será resolvida, nunca será solucionada, mas apenas e simplesmente vivida. O grande slogan da filosofia de Jean Paul Sartre apresenta a assertiva de que o homem é condenado a ser livre. Sua liberdade aparece como uma espécie de fatalidade. Não é uma essência ou uma determinação o caráter mais fundamental do ser humano, é, todavia, unicamente a liberdade. A partir daí ele deve fazer o que quiser e puder de si. Sartre correlaciona este conceito filosófico com a história, por vezes com a psicologia, e sobretudo com a literatura.
O filósofo que é escritor, pensador que escreveu tanto obras filosóficas quanto ficcionais, trás consigo uma problemática e um grande perigo que consiste, obviamente, no fato de que os seus romances possam se tornar meros objetos para ilustrar idéias de filosofia. Para o expoente máximo do existencialismo, a literatura não existe para isso, é um erro tratá-la desta forma. A obra literária tem sua autonomia inerente a si mesma. A prosa não é apenas um esclarecimento ou um complemento a uma tese conceitual.
Para Sartre, não se trata de elaborar uma concepção separatista entre esses dois ramos do saber, e menos ainda tentar embaralhá-los de modo que fiquem homogêneos. Filosofia e Literatura, de uma forma ou de outra, se atraem e encaminham-se para uma única e mesma finalidade, isto é, compreender a existência humana. Isso não diz respeito a uma tentativa de confundir a arte do conceito com a arte literária, mas de abrir caminho para uma filosofia que seja capaz de expor a experiência mais concreta e de valorizar uma literatura que nos permita ver melhor a nós mesmos, os outros e o mundo presente. Sartre identifica entre essas duas áreas distintas uma “vizinhança comunicante”.
Além disso, a literatura é práxis, a palavra é ação. O livro, sendo uma obra de arte estética, se lança a uma compreensão ética da realidade humana. A prosa, dessa forma, não é tão-somente uma comunicação de letras, palavras e frases, não é um mero refúgio, não serve apenas para nos fascinar, refestelar, nos dá gozo ou prazer, é, todavia, acima de tudo, uma convocação, um apelo que o escritor faz para a liberdade do leitor e que estes, juntos, assumam o compromisso que gerou a obra. A literatura, portanto, nos propele que adotemos posições críticas para transformar a realidade, que nos comprometamos, que nos engajemos.
“As palavras são pistolas carregadas. Quando o escritor fala, ele atira. Pode calar-se, mas uma vez que decidiu atirar é preciso que o faça como homem, visando o alvo, e não como criança, ao acaso, fechando os olhos, só pelo prazer de ouvir os tiros”. A literatura é engajada no sentido de desvendar o homem ao próprio homem, mostra por meios de suas palavras um espelho crítico diante do qual no vemos refletidos, permitindo, assim, uma melhor compreensão da realidade humana como livre. Livre e responsável, quem é inteiramente livre, se torna inteiramente responsável. A liberdade se completa no compromisso, no engajamento. Ora, a liberdade do escritor necessita da liberdade do leitor, para que juntos assumam a obra literária, o mundo.
Tendo em vista que o tema a ser abordado seja a questão da literatura como relação entre liberdades, a princípio pode-se até parecer incompreensível e enigmático. Contudo, após breves aprofundamentos é notável seu valor como pesquisa e trabalho. Discutir no que diz respeito à liberdade, conceito tão caro à filosofia sartriana, mostrá-la e defendê-la no âmbito literário, além de fazer uma reflexão filosófica sobre tal assunto é ainda um apelo à libertação por meio da leitura.
O gosto pelos livros, o contato com alguns clássicos da literatura nos motivou a abraçar tal apreço com a filosofia. Ademais, discorrer sobre este assunto não é de forma alguma contingente e distante de nós, está contido não só no âmbito filosófico, mas no social, acadêmico, literário e em todas as instâncias do ser existente. É nosso intuito defender, com a ajuda de Sartre, o caráter despertador da literatura e motivar a prática e importância de ler, porquanto ela liberta. A partir daí, é necessário também transformar o que está a nossa volta. Cultivar, promover e suscitar a liberdade tendo como estopim a literatura, é algo vital.
Portanto, considerando que os supostos “mundos impossíveis” propostos pelos escritores venham sempre a exprimir e desvelar esse mundo real é possível aprender filosofia também lendo romances. Albert Camus afirmava que uma boa filosofia se faz com imagens. Podemos concluir, desta maneira, que mediante um bom livro, que após o contato com uma boa literatura, não podemos passar impunemente, não se pode passar despercebido, mudamos mesmo que não percebamos.

"Eu do livro não me livro
e nem quero me livrar
se do livro, eu me livro
como livre, vou ficar?”
 (FONSECA, Silas)

Filósofo SARTRE

*Francisco Alves é seminarista da Diocese de Grajaú (MA), da cidade de São José dos Basílios. É discente no 3º ano do curso de Licenciatura em Filosofia do Seminário de Aracaju e é agente de pastoral na paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, bairro Coroa do Meio, Aracaju.
E-mail: alvesfransousa@gmail.com

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

EM TEMPOS DE PROCELA NA BARCA DE PEDRO


“Mas eu rezei por ti, para que a tua fé não desfaleça.” (Lc. 22, 32)

            Nas variadas oportunidades de Sua vida pública, Jesus Cristo anunciava a Boa-Nova de Sua graça de pé na proa da barca de Pedro. De fato, nos escritos evangélicos, não se nomeia nenhuma outra embarcação da qual Ele tenha se utilizado durante o anúncio do Evangelii Gaudium, ou seja, do Evangelho da Alegria, senão a barca de Simão. Além do mais, é nesta mesma barca que acontece, segundo o Evangelista João, a pesca atípica após a Ressurreição do Senhor, onde milagrosamente cento e cinquenta e três grandes peixes não foram capazes de romper as redes de Simão; e ao som das margens calmas e resolutas do Lago de Tiberíades, Simão Pedro é reclamado por Cristo para O amar e apascentar os Seus cordeiros, ainda que vacilante, ainda que receoso, ainda que capaz de ter negado, no enredo da Paixão, o seu Senhor e Mestre três densas e dolorosas vezes. E deste diálogo enxertado num amor sem reservas, Pedro substancialmente é feito Pastor do Rebanho, ainda que ouvindo permanentemente a voz de Quem clamava na proa de Sua barca: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para peneirar-vos como trigo. Mas eu rezei por ti, para que a tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos.” (Lc. 22, 31-32).
            Hoje, como nunca, a Igreja enquanto Barca do Senhor, sofre as penúrias de terríveis tempestades, que assolam e afetam principalmente o papa Francisco. De fato, como já nos adverte Jesus, a figura de Pedro incomoda as forças das trevas. Reconstruir a Igreja é tarefa onde, sem sombra de dúvidas, as forças do inferno tentam prevalecer, porque é tarefa de quebrar paredes e fechar as arestas; de encontrar as falhas e apontar os caminhos duma restauração suscitada pelo Espírito Santo, o sopro que intercede em favor da Igreja e que a renova segundo o Seu kairós. Mas, se é tempo de restauração, assim como a Odisseia relata que Ulisses amarrado no mastro (stauros) da barca, para não sucumbir a si nem aos seus tripulantes ao canto magicamente perverso das sereias, assim também a Oração de Jesus Crucificado é a ação que recoloca novamente o mastro da Cruz do Senhor como tábua de salvação perante as tempestades e tentações da vida da barca e de seu timoneiro, ou seja, da vida da Igreja e do Papa Francisco. E diga-se mais: na certeza de que o povo de Deus forma o Corpo Místico de Cristo, quanto mais a oração do Senhor é o conforto para a investida satânica à pessoa de Pedro, tanto mais a oração de Seu Corpo Místico, isto é, de Sua Igreja, será, sem dúvidas, o sustento para a experiência a qual saboreia em dolorosas doses o Papa Francisco.
            Nós estamos com o Papa Francisco: esta é a nossa fé, e, por tal motivo, bendita seja a Palavra de Deus. Nós caminhamos com o Papa Francisco: esta é a razão de nossa unidade, e, sendo assim, soframos com ele as procelas e os maus tempos, se preciso for. Nós rezamos pelo Papa Francisco: esta é a nossa missão, e, por tal razão, dobremos nossos joelhos diante Daquele que é o Pastor de nossas almas para que conduza fielmente o pastoreio do nosso amado pontífice. O trigo é moído, mas torna-se pão. A barca sofre, mas alcança o porto. Pedro talvez cansa, mas não vacila e nem sucumbe. A Igreja é perseguida, mas para ser sempre Igreja; nós sofremos, mas alegramo-nos e exultamos, porque um Porto Seguro nos está reservado; o Papa Francisco chora, mas o Rosto da Misericórdia enxuga suas lágrimas e o encoraja para seguir viagem rumo ao mesmo Senhor das Misericórdias. Seja, de fato, a nossa Igreja uma rede mundial de oração pelo nosso Santo Padre; que se crie uma cultura capaz de lembrar dele sempre em nossas orações e preces; que haja nos corações cristãos a firme certeza de que o Papa caminha conosco e pede de nós súplicas a Deus. Sejamos, enfim, um ponto de refrigério, um prado tranquilo também para o nosso Pastor. “Salve, Santo Padre, vivas tanto ou mais que Pedro. Desça, qual mel do rochedo, a benção paternal!”


Texto: Seminarista Adenilson Santos Nascimento Junior

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

RETIRO SEMESTRAL

         Os seminaristas estiveram reunidos no Convento São Francisco de Assis na cidade de São Cristóvão, de 31 de julho à 2 de agosto, para o retiro de exercícios espirituais. Como de costume, o retiro é a oportunidade para a oração e reflexão para o início e bom andamento da formação ao longo do período. 

             O pregador do retiro e orientador dos exercícios foi o bispo de Propriá, Dom Vítor A. Menezes. O prelado chamou atenção para uma compreensão da vida no seminário como tempo e lugar de retiro no qual acontece a formação do sujeito, tal como fizera Jesus Cristo com seus discípulos. Para tanto, Dom Vítor fez menção, além do textos bíblicos, aos textos de São João Paulo II, do papa Francisco, do Documento de Aparecida e ao texto "Aos meus seminaristas", do cardeal Mercier.

Segue algumas fotos:
















Fotos: Sem. Lênison Oliveira
Texto: Sem. João Kennedy




terça-feira, 7 de agosto de 2018

RETORNO ÀS ATIVIDADES DO SEMINÁRIO MAIOR

     

No dia 30 de julho, o padre Jefferson Santos Pinheiro acolheu os seminaristas que retomaram o itinerário formativo após um período de férias. A abertura das atividades foi celebrada com o oferecimento da Santa Missa na qual o padre reitor rezou pela perseverança e discernimento vocacional dos seminaristas presentes. 
Como de costume, o retiro de exercícios espirituais será também uma ocasião de oração e reflexão para introdução ao período de formação. 

"Nos Seminários e nas casas de formação sacerdotal é importante fomentar as equipes de vida, como outras formas de integração comunitária, que favoreçam o amadurecimento para a solidariedade, a capacidade para dar e receber, a correção fraterna, e que seja estímulo para superar o individualismo e o isolamento." (Cf. A formação sacerdotal nos seminários, n° 8)

AGOSTO: MÊS DAS VOCAÇÕES


quinta-feira, 31 de maio de 2018

Maria, Rainha dos céus!


Caríssimos e estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus,

No dia de hoje, 31 de maio, Solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo, a Igreja peregrina, através da piedade popular, sempre unida à liturgia Celeste celebra a coroação da Virgem Maria, nossa Mãe e Mestra. Por isso, nosso coração se rejubila de alegria no Senhor neste dia, pois Deus a elevou ao mais alto dos Céus e a coroou Rainha, como figura-nos o livro do Apocalipse, no capítulo 12.
“Apareceu no Céu um grande sinal: uma Mulher revestida do sol, com a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava em dores, sentindo angústias de dar à luz. Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono” (Ap 12, 1-2, 5).  
É salutar lembrarmos que o livro do Gênesis relata a primeira profecia após a queda do homem em decorrência do pecado. Esta profecia (Gn 3,15) nos figura uma “Mulher” que pisaria na cabeça da serpente, antiga inimiga da humanidade, que seduziu os homens a desobediência e consequentemente a morte. A saber, aquela primeira mulher, Eva, por causa de sua desobediência a Deus causou a derrocada da humanidade.  Sendo assim, fica-nos uma angustiante interrogação, quem seria a “Mulher” da profecia? É o próprio Jesus Cristo, Senhor Nosso, quem nos responde, quando Ele no ápice da realização da sua oferta ao Pai como Cordeiro Pascal retoma a antiga passagem e cumpre a profecia. Profere a sua mãe e ao discípulo amado João aos pés da Cruz: “Mulher, eis aí teu filho”; filho, “eis ai tua mãe”... (João 19, 26-27). Assim sendo, Maria, Mãe do Filho de Deus, é a Mulher do Gênesis, do Evangelho e também do Apocalipse.  O mesmo discípulo que estava aos pés da Cruz, relata noutro livro escrito por ele, o Apocalipse, uma visão cósmica e mística de uma  “Uma Mulher”, aquela quem deu a luz um menino que governaria a terra com cetro de ferro, e que foi perseguida por um dragão, a antiga serpente do Genesis.           
No capítulo 12 do Apocalipse de São João, Nossa Senhora aparece no Céu de forma magnífica, revestida da Glória resplandecente da eternidade, onde sua luz equiparava com a do sol, tinha  a lua debaixo dos seus pés. Entretanto, em meio a tamanha beleza e grandeza, uma coisa nos chama atenção, ela usava uma coroa de doze estrelas. Intrigante, pois nos fica um questionamento, quem usa uma coroa se não uma Rainha? Notemos então, que em sua coroa, segundo o evangelista João, existem doze estrelas, o mesmo número dos apóstolos de Jesus, e das doze tribos de Israel, representando assim, a antiga e a nova aliança, o povo de Deus eleito e conquistado e salvo pelo sangue de Cristo na terra por meio do seu Sim a Deus.
Pio XII alude ainda uma belíssima passagem da bula "Ineffabilis Deus" da proclamação do dogma da Imaculada Conceição: "Deus fez a maravilha de enriquecê-la, acima de todos os anjos e santos, de tal abundância de todas as graças celestiais hauridas dos tesouros da divindade, que ela - imune de toda a mancha do pecado e toda bela - apresenta tal plenitude de inocência e santidade, que não se pode conceber maior abaixo de Deus, nem ninguém a pode compreender plenamente senão Deus”.  O Venerável Pio XII em exercício do seu sagrado magistério apostólico nos ensina aquilo que é verdade de Fé na consciência do povo Cristão, nas sagradas Escrituras e na Tradição da Igreja desde os primeiros séculos, Maria é a criatura mais perfeita, santa e bela feita por Deus, o vaso sagrado ao qual Deus quis primeiro habitar, quando no momento fixado desde toda a eternidade, atravessou o abismo infinito do tempo, e se fez carne no ventre de Maria.
Tamanha pequenez de criatura e grandeza de serva fiel, Maria, adquiriu em decorrência de sua obediência ao Criador, um inimigo perverso, que a teme desde a Criação. Inimiga conhecida, a serpente, personagem que  continua com sua inimizade no Apocalipse: “Depois apareceu no Céu outro sinal no Céu: um grande Dragão Vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas. Varria com sua cauda uma terça parte das estrelas do Céu, e as atirou a terra. Esse dragão deteve-se diante da Mulher que estava para dar a luz, a fim de que, quando ela desse a luz, lhe devorasse o filho” (Ap 12, 3-4). O dragão, o qual João tem a visão, é Lúcifer, que também é chamado de serpente, ele enganou a terça parte dos anjos que estavam nos Céu.
Meus nobres irmãos em cristo, quando Cristo foi morto na Cruz, aconteceu a Redenção da humanidade. Foi a entrega de Jesus como Cordeiro sacrifical que nos redimiu e nos libertou das mãos da antiga serpente. Ali, no Calvário, aconteceu a derrota de Satanás na terra. O santo padre, o Papa Pio XII eloquentemente continua a dizer aos filhos seus: “ela (Maria) se ofereceu no Calvário ao Eterno Pai, sacrificando seu amor de mãe em benefício de toda a humanidade manchada pelo pecado”.  De verdade, na cruz aconteceram dois sacrifícios, o Sacrifício Único e Redentor de Cristo e o da sua Mãe, que ofertou ao Pai o seu amor de Amor materno ao ver seu Filho morto inocentemente.
Por isso, assim como Jesus é Rei, não só por ser o Filho de Deus, mas também por ser o nosso Redentor, assim, pode-se afirmar que Maria é Rainha, não só por ser a Mãe de Deus, mas também porque associou-se a Cristo na redenção do gênero humano.
Concluindo esta nossa humilde reflexão, reportamo-nos ao Papa Pio XII com uma belíssima oração sua dedicada ao dia da Coroação de Maria: “Reinai, ó Mãe e Senhora, mostrando-nos o caminho da santidade, dirigindo-nos e assistindo-nos para que dele nunca nos afastemos. Reinai sobre as inteligências, para que não procurem senão a verdade; sobre as vontades para que sigam somente o bem; sobre os corações para que amem unicamente o que vós mesma amais”.  Amém!
Domina Regina, ora pro nobis!

Seminarista Thiago Meneses 
1º ano de Teologia 


segunda-feira, 23 de abril de 2018

Visita dos padres da diocese de Lucca- Itália

O seminário maior recebeu na última quinta-feira, 18, a visita dos padres italianos Pe. Agostino Banducci, Pe. Paolo Dalle Mura e Pe. Leonardo Della Nina, presbíteros da Arquidiocese de Lucca, igreja irmã da Arquidiocese de Aracaju. A arquidiocese de Lucca está localizada na região noroeste da Toscana e sob sua jurisdição estão aproximadamente trezentas mil pessoas para as quais está disponível um clero de aproximadamente 120 padres. Atualmente a Arquidiocese de Aracaju conta com a colaboração missionária de um fiel leigo da Arquidiocese de Lucca, o Luca, ecônomo da cúria aracajuana. 
Na ocasião os padres italianos celebraram a Santa Missa para os seminaristas e conduziram um colóquio formativo. O momento foi marcado pela partilha e testemunho vocacional bem como uma explanação acerca dos desafios e ambiente de evangelização italiano. Ademais, também discorreram sobre a pastoral vocacional, a crise de fé, a importância e o forte significado que o pontificado do Papa Francisco tem exercido na atual conjuntura da Igreja européia.
 Ao serem questionados pelos seminaristas sobre o contexto e os desafios que interpelam a prática pastoral, responderam:
-“A Itália, tal quais todos os países ocidentais, é marcada por forte secularismo e individualismo. Assim, desponta no horizonte a necessidade de uma evangelização que seja mais humilde, que não esteja interessa nem em massas nem em resultados imediatos. Mas, que se dirija à pequenos grupos e dê testemunho da beleza da fé, do credo em Cristo, que transforma nossa vida.”
-“Na família as pessoas estão apáticas. Aliás, as pessoas estão avessas a qualquer tipo de estrutura. Não se envolvem na comunidade, não se comprometem... O curioso é que, quando nasce uma criança, logo recorrem às igrejas pedindo o batismo. É um desafio. É preciso mostrar a beleza do seguimento a Jesus na comunidade.”
-“O discernimento vocacional é feito na igreja, com os formadores e é o bispo quem dá a ultima palavra sobre. O clero, por sua vez, deve cuidar da unidade fraterna e da obediência ao bispo, pois Cristo nos encontra na Igreja e é nela que devemos morrer e ressurgir, como Ele mesmo fez.”



Ao final da visita os seminaristas agradeceram entregaram uma lembrança a cada dos padres que deram testemunho da catolicidade que deve encaminhar toda igreja para uma relação cada vez mais sinodal. Os mesmos padres também agradeceram o acolhimento que, segundo eles, os fizeram se sentir em família.



Fotos:






Luca, ecônomo da cúria metropolitana de Aracaju


Cidade de Lucca- Itália 

Texto: Seminarista João Kennedy 
Fotos: Seminarista Fabrício Rodrigues