domingo, 17 de setembro de 2017

"Et cum invenerit eam imponit in umeros suos gaudens" - "E, tendo encontrado a ovelha, alegremente a põe nos seus ombros" (Lc 15, 5)


No último dia 15 de setembro, memória litúrgica de Nossa Senhora das Dores, a Arquidiocese de Aracaju, vivendo os portentos do Ano Nacional Mariano, gaudiosamente celebrou a Imposição do Pálio Arquiepiscopal de seu Arcebispo Metropolitano, V. Exc. Rvma. D. João José Costa, O. Carm. 





O Pálio (do latim Pallium), elaborado com lã branca e confeccionado pelas monjas beneditinas do Mosteiro de Santa Cecília, em Roma, utilizando a lã de dois cordeiros que são oferecidos ao Papa no dia 21 de janeiro de cada ano na Solenidade de Santa Inês, é símbolo do serviço e da promoção da comunhão na própria Província Eclesiástica e na sua comunhão com a Sé Apostólica.

Como prevê a nova diretriz que prevalece desde 2015 quanto ao Rito de Imposição, a cerimônia litúrgica ocorreu ao início da Santa Missa celebrada na Catedral Metropolitana de Aracaju, presidida pelo Núncio Apostólico no Brasil, V. Exc. Rvma. D. Giovanni d'Aniello. O então representante papal desembarcou em solo sergipano por volta das 14:30h, sendo acolhido pelo Metropolita de Aracaju e pelo Arcebispo Emérito, V. Exc. Rvma. D. José Palmeira Lessa. Hospedou-se no Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição, onde foi recepcionado calorosamente pelos seminaristas da Província Eclesiástica de Aracaju. Ainda reuniu-se com o Clero de Sergipe e evidenciou a necessidade do amor na vida e no ministério sacerdotal.




Na Celebração Solene, relembrou ao Arcebispo o peso que a Mitra e o Pálio Arquiepiscopal o trarão e, recomendando-o às suas orações, prestou disposição para ajudá-lo em suas variadas necessidades pastorais.
A Celebração contou ainda com a presença das autoridades civis, de bispos de variadas dioceses, de inúmeros presbíteros das regiões circunvizinhas, de religiosos e seminaristas e do povo de Deus de diversas localidades federativas.
Neste momento significativo para a Arquidiocese, louvemos a Deus por Sua Condescendência em não nos deixar como ovelhas sem Pastor, e enquanto Arquidiocese que ora e roga pelos seus pastores, oremos a Deus Todo-Poderoso, Pastor e Bispo de nossas almas, para que assista o pastor desta Igreja em Aracaju e o povo a ele confiado, e assim não falte ao pastor a obediência de suas ovelhas e nem ao rebanho a solicitude do seu pastor.












Seminarista Adenilson
2° Ano de Filosofia
Arquidiocese de Aracaju-SE

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Imposição do pálio Arquiepiscopal




Depois de receber o Pálio Arquiepiscopal das mãos do papa Francisco, em Roma, durante a solenidade de São Pedro e São Paulo, Dom João José Costa, Arcebispo de Aracaju, celebrará no dia 15 de setembro, a missa de imposição da insígnia. A celebração, que acontece às 19h na Catedral Metropolitana de Aracaju, vai contar com a presença do Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giovanni D'Aniello, representante do Vaticano no país e responsável por impor o símbolo nos ombros do arcebispo.

O que é o Pálio?

O Pálio, do latim pallium, manto, é confeccionado a partir da lã de duas ovelhas abençoadas pelo papa na memória litúrgica de Santa Inês, em 21 de junho. A insígnia consiste em duas tiras de lã ornadas de seis cruzes pretas de seda. O arcebispo o usa sobre os ombros, tendo uma tira pendente no peito e outra nas costas. Esta forma e a matéria do qual é feito indicam a missão de pastor do arcebispo, que carrega a ovelha – povo de sua arquidiocese – nos ombros.  Aos arcebispos é confiado o Pálio para indicar sua autoridade em uma arquidiocese. Ele também quer indicar a comunhão do arcebispo com o Sumo Pontífice e com o Vaticano. Por isso, após a sua confecção, o Pálio é depositado junto ao túmulo de São Pedro até a Solenidade de São Pedro e Paulo, quando, então, é entregue pelo papa aos arcebispos.


    Temos a honra de convidar-lhe para participar desse momento!

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

SEMINARISTAS PARTICIPAM DO GRITO DOS EXCLUÍDOS



Os seminaristas do Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição, marcaram presença no Grito dos Excluídos nesse 07 de setembro de 2017. Estiveram também presentes o nosso Arcebispo Dom João José Costa, o reitor e vice-reitor do Seminário Maior, e alguns padres da Arquidiocese.

O lema desse ano foi: “Por direito e democracia, a luta é todo dia” e o tema: “Vida em primeiro lugar”.  
        

O evento é realizado pela Arquidiocese de Aracaju, sindicatos, entidades e movimentos sociais e têm por objetivo questionar e denunciar as realidades que geram desigualdades do país, rompendo o silêncio e denunciando as injustiças e males que são causadas por esse sistema.

Confira abaixo algumas fotos do evento:









terça-feira, 29 de agosto de 2017

Show Profetas que Cantam 2017




No dia 30 de setembro, o Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição, realizará mais uma edição do Show Profetas que Cantam. Nesse ano, temos como lema: “Minh’alma canta ao Senhor” (cf. Lc 1,16), prepare a sua caravana e venha participar desse momento celebrativo. Confira nossa programação:

*Início com a Santa Missa às 17:30h;
*Abertura com uma breve encenação sobre Nossa Senhora Aparecida, logo após a Santa Missa;
*Show com os Profetas que Cantam e apresentação do Coral Nossa Senhora da Conceição;


*Os ingressos estão sendo vendidos pelos seminaristas e na portaria ao preço de R$:10.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A VOCAÇAO: UM ITINERÁRIO


Na última terça-feira, dia 22 de agosto, Dom Giovanni Crippa (Bispo da Diocese de Estância), realizou um momento formativo com os seminaristas do Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição. Em sintonia com o mês vocacional trouxe como temática para esse momento: A VOCAÇÃO. Confira na íntegra: 

A questão

“Aquilo que provêm de Deus têm geralmente uma forma inicial e ainda não uma forma bela e realizada. Deus atua segundo a lei da vida: ele toca e avisa, suscita um movimento; coloca uma semente, que germina e cresce na hora exata; insere no profundo uma forma que lentamente vai se revelando” (R. Guardini).
A história de Israel é um exemplo de itinerário começado e orientado por Deus e marcado pelo caminho dos homens.
O Reino de Deus não aparece como uma realidade realizada, concluída, acabada, parece mais a “um homem que espalha a semente na terra” (Mc 4, 26-27).
Deus atua sempre com os homens, dentro e com o ritmo dos homens. Deus não fica ao lado da nossa história, sua ação deve ser discernida, descoberta dentro da normalidade dos acontecimentos.
A vocação, ainda pareça a conclusão de uma procura - mas nunca o é -, é sempre um começo; ainda que feche um caminho, abre um novo; nunca é um ponto final, mas sempre um processo contínuo.
Na Bíblia, a vocação se apresenta como um caminho comum para todos (cf: Decálogo, Bem-aventuranças ...) e um caminho pessoal (as diferentes vocações). Ninguém é chamado a caminhar sozinho. A vocação pessoal, de cada um, precisa ser compreendida ao interno da vocação da comunidade; dela é transparência e a ela serve.



Um itinerário exemplar: a vocação dos discípulos (Mc 1, 16-20)

Este trecho evangélico nos mostra os elementos fundamentais da vocação:

·       a gratuita e livre iniciativa de Jesus: viu e os chamou;
·       o desapego da maneira precedente de viver: deixaram as redes e seu pai;
·       o seguimento: sigam-me: seguiram Jesus;
·       a missão: eu farei vocês se tornarem pescadores de homens.
Parece um caminho simples, obvio (chamado e resposta), sem desenvolvimento e sem história, mas a continuação do Evangelho mostra que não é assim.
a) O chamado de Deus
Nos relatos de chamado sempre encontramos três elementos fundamentais:
·      o pedido de Deus;
· a hesitação, a indecisão, a perplexidade, o transtorno e a pergunta da pessoa;
·       a resposta da pessoa chamada.
O chamado é sempre finalizado ao anúncio do Reino. Às vezes o chamado chega através do testemunho de outras pessoas vocacionadas (cf. Jo 1, 35-39; 1, 40-41; 1, 45-46). Segue o caminho de discernimento onde a pessoa interroga a Deus e a si mesmo (cf. Ex 3, 11; Jr 1, 6; Lc 1, 26-38). A resposta ao chamado deve ser um ato razoável (não racional) e meditado.

b) O desapego
O chamado de Jesus desenvolve dois movimentos: deixar e seguir que significam deslocar o centro da própria vida. Não existe seqüela sem êxodo o desapego.
O chamado é algo de novo, é desapego total e definitivo: os discípulos deixam o trabalho, pai, propriedade, família ... Este desapego precisa ser renovado cada dia, e é no dia a dia que se pode entendê-lo melhor.
O desapego:
·       exige uma motivação (Mc 10, 17-22) que implica: a partilha com os irmãos: “venda tudo, dê o dinheiro aos pobres”; a liberdade para o Evangelho: “venha e siga-me”. O caminho da vocação é um caminho de libertação que requer desapego de tudo para se concentrar naquilo que é essencial e importante;
·       leva a uma experiência de plenitude e não de esvaziamento, de ganho e não de perda. A resposta de Jesus à pergunta de Pedro é clara: “Vai receber cem vezes mais” (Mc 10, 30). A pessoa que vive o desapego evangélico se alegra pela comunhão com Deus e goza dos bens do mundo porque: está livre da ânsia de capitalizar e do medo de perder seus bens; vê no mundo e nas coisas do mundo um dom de Deus; aproxima-se das coisas a partir do seu valor e não para possui-las e explora-las acabando se tornar escravo delas.


c) O seguimento
Acolher o convite de Jesus não significa entrar numa condição de vida, mas num caminho que nos leva a compreender quem Ele é e aonde nos quer conduzir.
É possível compreender profundamente nossa vocação não no começo, mas no final de nossa vida. Mc 8, 31-33 nos mostra como no fim da vida Jesus revela seu rosto (de crucificado) e o verdadeiro rosto do discípulo. Durante o caminho acontece a crise. Pedro percebe que Cristo é diferente daquele que ele tinha pensado. A crise mais profunda não ocorre quando nós buscamos a Deus, mas quando o encontramos (cf. Abraão, Moisés, Jó, Jeremias ...). É a crise de quem empreende um caminho no qual mete em jogo a sua própria vida. Este é também o momento da luz, da verdade, do verdadeiro encontro. Pedro não sabia muito bem quem era Jesus, aonde o teria levado, mas seu amor por ele foi tão grande que renuncio ao próprio projeto para abraçar um novo.

d) A missão
“Jesus subiu ao monte e chamou os que desejava escolher. E foram até ele. Então Jesus constituiu o grupo dos Doze, para que ficassem com ele e para envia-los a pregar, com autoridade para expulsar os demônios” (Mc 3, 13-14).
Chamou os que desejava escolher: a nossa resposta não nasce de uma escolha intelectual, não se sustentaria; nem do cálculo porque, humanamente falando, apareceria absurda. O nosso sim segue a lógica do amor, a lógica onde não existem os porque, nem motivações ou explicações suficientes. O seu amor e o seu convite nos precedem no tempo e a nossa resposta é chamada a ser amor e gratuidade.
Para que ficassem com ele: somos chamados a ficar com ele, a viver uma experiência fundada unicamente na confiança. Ficar com ele por amor e não por interesse. Ficar com ele é a única garantia de sucesso.

Para envia-los: o amor leva à missão e a missão é a resposta livre ao amor gratuito. Ele envia, mas ele mesmo vá, junto. A missão, antes de ser uma tarefa a ser cumprida, é uma comunhão de vida com quem nos envia.










+ Dom Giovanni Crippa
Bispo da diocese de Estância

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Ser ou não ser? Existir!


Na era do cientificismo, da tecnologia, da globalização e da industrialização, tudo possui nuances pragmáticas. A informação, o lazer, as relações, a educação e o conhecimento estão sendo produzidos mecanicamente e com fins comerciais. O ser, porém, segundo essa lógica vigente, tem pouco espaço nas reflexões, haja vista que essa reflexão metafísica reclama elucubrações para as quais poucos estão dispostos a dedicar tempo.

Tantos dramas sociais estão originados em crises existenciais individuais que se reverberam numa espécie de contágio da consciência coletiva. William Shakespeare (1564-1616), dramaturgo inglês, na célebre peça “Hamlet” vaticinava a problemática numa questão sobre a possibilidade de ser ou não ser. Essa pergunta sobre o próprio ser toma, então, macro-proporções em todas as dimensões da vida porque põe os fundamentos da existência numa averiguação ontológica. Entretanto, muito embora seja uma provocação aguilhoada, quem se expõe aos seus riscos escreve os preâmbulos de uma trajetória que se encaminha para a indemnidade, ou seja, para um ressarcimento pelo esforço empenhado, para a plenitude. 
O filósofo francófono Jean Paul Sartre (1905-1980) assevera o contrário ao dizer que a existência precede a essência. Isto é, segundo Sartre é o existir que define a essência. Isso implica dizer que não existe uma natureza que configura a essência do homem. Entretanto, cada um, existindo, vai construindo, definindo a sua essência, livre e responsavelmente. O sujeito deveria ocupar-se em construir seu eu, enquanto gasta tempo perguntando-se sobre sua essência. Longe disso se experimenta náuseas. Parece absurdo? Sim, é! É exatamente assim que Sartre denominava a percepção da inexistência do ser no prospecto objetivo.

A honestidade, a responsabilidade, a verdade, valores e rótulos projetados nos outros, por exemplo, desde amantes e amigos até servidores públicos e políticos, às vezes, decepcionam e, à vista disso, o ser e a existência aparecem então como contrários: diz que “é”, mas instaura-se um vácuo na existência porque a manifestação do não-ser é impossível, restando então o nada. Isso é uma crise existencial. O ser é assenhoreado de um ceticismo albergando-se num desconforto espacial ao passo que se compreende como “eu” e, por conseguinte, no “outro”, até mesmo naqueles que nunca se ocuparam com as mais simples noções de ontologia.
Em tempos de divergências entre existencialismo e ontologia, vale lembrar que “o existencialismo é um humanismo”. É Sartre quem diz e assim intitula uma de suas obras.  Acreditar nisto coloca o sujeito frente ao ser, ao não-ser e ao existir. O que fazer com essas possibilidades? Construir! Se no pragmático mundo do virtual, da técnica, da corrupção, da falta de amor, da violência e da morte falta o ser, o homem ao fazer existir (-se), como sujeito real, artesanal, honesto, amante, pacífico e vital, enfim, parece encontrar o produto positivo de uma equação filosófica que se demonstra sutilmente na “lousa” pública que é a vida. Existir sem medo do ser cura a náusea, preenche o nada, provocando efeito valorativo em cada ação da existência do “eu” que migra da crise existencial para uma satisfação ontológica.










Seminarista João Kennedy  
Arquidiocese de Aracaju-SE
4º período de Filosofia.