quinta-feira, 20 de abril de 2017

MESAGEM PARA A PÁSCOA 2017

       “Nós de fato acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou” (1 Ts 4,14)


Caríssimos Irmãos feliz Páscoa!

Hoje a Igreja celebra o acontecimento central da fé, a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, “Jesus ressuscitou, há uma esperança que despertou para ti, já não estás sob o domínio do pecado, do mal! Venceu o amor, venceu a misericórdia! A misericórdia sempre vence”! (Papa Francisco)
            No cristianismo, a ressurreição de Jesus constituiu desde o início o fundamento da fé e o conteúdo essencial da pregação. “A ressurreição de Jesus é a verdade culminante da nossa fé em Cristo, crida e vivida como verdade central pela primeira comunidade cristã, transmitida como fundamento pela Tradição, estabelecida pelos documentos do novo Testamento, juntamente com a Cruz pregada como parte essencial do mistério pascal” (CIC n. 638).
            O apóstolo Paulo considerava a ressurreição como a pedra angular do mistério de Cristo, critério absoluto da verdade de seu Evangelho. Aos fiéis de Corinto que tinham duvidas a respeito dessa realidade ele escrevia com muita sinceridade: “Se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vazia e também é vazia a fé que vocês tem. Se os mortos não ressuscitam, então somos testemunhas falsas de Deus, ao dizermos que Deus ressuscitou a Cristo” (1 Cor 15,14-15).
            São freqüentes as admoestações de Jesus ressuscitado diante do estupor e da incredulidade de Seus discípulos: “Como vocês custam a entender, e como demoram a acreditar em tudo que os profetas falaram! Será que o Messias não devia sofrer tudo Isso, para entrar na sua glória”? (Lc 24,25-26).
            Ilustrativo é o episódio dos discípulos de Emaús , que se afastam de Jerusalém, tristes e desiludidos com o naufrágio dos seus sonhos de liberdade: “ Nós esperávamos que fosse Ele o libertador de Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que tudo isso aconteceu”! (Lc 24, 19-21). Aparecendo Jesus se faz exegeta de sua missão messiânica à luz das promessas do Antigo Testamento. Só na páscoa os discípulos compreendem plenamente o mistério de seu Mestre. É verdade que antes disso eles haviam reconhecido nele o profeta fidedigno, o Messias prometido. Mas o acontecimento da paixão e morte provocou neles desânimo e até negação.
            É, portanto, o acontecimento maravilhoso e inesperado da ressurreição que possibilita aos discípulos a verdadeira compreensão de Jesus. O brilho da páscoa ilumina na sua autêntica a missão terrena de Jesus, sendo que assim os discípulos passam de um reconhecimento superficial e incompleto à confissão convicta e ao anúncio incansável até a entrega da própria vida através do martírio. É a ressurreição, que, de fato, restitui a Pedro e aos discípulos a fé e o entusiasmo para com Jesus tornando-os arautos tenazes e perseverantes do Evangelho de salvação.
            Com a ressurreição, a humanidade do Filho achega-se gloriosa à comunhão do Deus Trindade. Com a encarnação a humanidade fora assumida pela pessoa divina do Verbo. Com a ressurreição, a pessoa divina leva à consumação essa relação suprema com Deus, vivendo da própria vida da Trindade. Esse mistério central da nossa fé é a realização da nova humanidade, libertada da escravidão do pecado e das suas conseqüências. Jesus ressuscitado é o homem novo, que conduz nesse destino de novidade a humanidade inteira.
            A ressurreição de Jesus , além de experiência de vocação e de missão, é também experiência de perdão. Jesus ressuscitado restitui aos discípulos a sua amizade e o seu perdão. Não só isso, mas confirma para os Apóstolos o poder de perdoar os pecados da humanidade. O poder que Ele exercera em sua vida terrena, era então confiado aos seus Apóstolos, como dom de sua ressurreição. Com efeito, ao anoitecer do dia da páscoa, aparecendo aos discípulos confiou-lhes a missão de perdoar os pecados “Recebam o Espírito Santo. Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados”. A ressurreição é para nós cristãos experiência de misericórdia, de perdão, de renovação, de participação na vitória de Jesus sob o pecado e morte.

 O Senhor ressuscitado, vencedor do pecado e da morte, seja o amparo o amparo para todos especialmente para os mais frágeis e necessitados. Agradeçamos a Deus por tempo litúrgico para que possamos ser verdadeiramente livres buscando uma vida integra através do nosso testemunho. Que Cristo ressuscitado guie a todos vós e à humanidade inteira pelos caminhos de justiça, de amor e de paz. 























Seminarista Diógenes Rodrigues. 
4 ano de teologia.

domingo, 16 de abril de 2017

É PÁSCOA: DEUS TEM A ÚLTIMA PALAVRA SOBRE NÓS!


É Páscoa! É tempo de voltar ao essencial de nossa fé. É tempo de voltar a verdade fundamental da nossa existência cristã. Mas, acima de tudo, é tempo de deixar-nos encontrar por uma Pessoa: Jesus Cristo, Filho de Deus, que dando sua vida na cruz e ressuscitando dos mortos nos revelou a profundidade do amor de Deus para com os homens. Portanto, é tempo de experimentar a presença de Cristo morto e ressuscitado em nossas vidas e de deixar-se transformar por Ele, que mesmo sendo Deus, assumiu nossa existência com todas as suas dimensões, até mesmo a morte, a fim de se unir a nós, trazendo-nos Deus ao mesmo tempo que nos eleva à Ele, mostrando que o Pai está conosco em todos os momentos de nossa existência: que Ele tem a última palavra sobre nós.
Em todos os relatos do primeiro encontro com o Ressuscitado, percebemos que os discípulos passam do sentimento de medo, para o sentimento de alegria (cf. Jo 20, 19-20; Mt 28, 1-10), e é de se perceber ainda que é uma alegria que transforma para sempre as suas vidas. Isso porque a experiência com o Senhor que vive faz gerar nos discípulos uma confiança filial em Deus, que ao experimentarem a morte e a ressurreição de Jesus, veem que o Pai não abandonou o seu Filho, que também é verdadeiro homem, pois com a encarnação assumiu todos os aspectos de nossa vida, exceto o pecado (nossas alegrias, nossas esperanças, nossa ânsia de felicidade, nossas dores, nossos medos,  nossas angustias, nossa distância de Deus – o sentimento de abandono na cruz – e com isso, assumiu a nossa morte, realidade última e mais dramática da nossa existência). Com isso os discípulos, tendo como exemplo a vida do próprio Cristo, acreditam que o Pai também não abandonará os que por meio do seu Filho se unem a Ele.
Por isso, onde quer que estejamos, não estamos sozinhos, o Pai que acompanhou seu Filho durante toda sua existência, que não o abandonou nem mesmo no sepulcro (cf. At 2, 22-24), também não nos abandonará, nós que nos tornamos seus filhos adotivos, pela ação do Espírito no sacramento do batismo e pela fé, confiança filial que Jesus nos ensinou. Eis a experiência que mudou a vida dos primeiros discípulos e de todos os que se colocaram no seguimento de Jesus ao longo da história: Jesus nos uniu de tal modo a ele que sua vida é a nossa vida (cf. Gl 2,20a) e, portanto, o que o Pai realizou nele, em sua Páscoa, também realizará em nós. Pois, “pelo batismo nós fomos sepultados com ele na morte para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova” (Rm 6, 4).
 É essa experiência, à semelhança do povo da Antiga a Aliança que constantemente rememorava a experiência do êxodo, que revigora a fé e alegria dos discípulos do Senhor no cotidiano de suas vidas: “minha vida na carne, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a sim mesmo por mim” (Gl 2,20b). Desse modo, Páscoa é tempo de fazer esse encontro com o Senhor que está no meio de nós pelo dom do Espírito Santo, porque somente a partir dele, em um mundo marcado por tantas realidades desumanas, poderemos afirmar com o apóstolo Paulo: “Quem nos separará do amor de Cristo? [..] Pois estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes, nem a altura, nem a profundeza, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, Nosso Senhor” (Rm 8, 35a.38-39). 
Podemos então dizer: se nos falta alegria, coragem, se nos falta a fé como força que dá sentido as nossas vidas, é porque necessitamos de uma verdadeira experiência com o Senhor Ressuscitado, que gera em nós a confiança, a fé filial que nos mostra que nenhuma realidade, nem mesmo o pecado e a morte, tem a última palavra sobre nossas vidas. Jesus, o Filho de Deus, tomou todos os aspectos da nossa existência, principalmente seus momentos mais difíceis de serem compreendidos e aceitos, para mostrar ou melhor para fazer Deus presente nela. Assim, na sua Páscoa, Cristo realiza plenamente a promessa que perpassa e que anima toda a vida e história do povo de Deus: “Eu estou contigo e te guardarei em todo lugar onde fores” (Gn 28,15a; cf. Js 1,9, Is 41,10a;). “Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt28,20b; cf. Hb 13, 5b)). Por isso, só Deus tem a última palavra sobre nós, sobre nossa vida e história.
Portanto, saiamos de nós mesmos, é Páscoa, é êxodo, é tempo de deixar-se conduzir pelo Senhor, de passar de uma vida marcada por realidades de morte para realidades de vida, de acolher a alegria e de renovar a fé transformadora que nascem do encontro com o Cristo morto e ressuscitado, Filho de Deus e Senhor de toda história humana. Que o Vivente nos encontre e nos faça viver em um permanente estado de páscoa, de confiança no Pai, até chegarmos a Páscoa definitiva onde nossa vida será plena, onde nossa alegria será completa: onde Deus será tudo em nós (cf. 1Cor 15,28).


Manoel Messias Dias Santos
4º ano de teologia

Diocese de Estância/SE

sábado, 15 de abril de 2017

Pregação da sexta-feira santa de 2017, na Basílica de São Pedro

“O CRUX, AVE SPES UNICA”
Pe. Raniero Cantalamessa. Fonte: Zenit.
A cruz, única esperança do mundo Escutamos a narrativa da Paixão de Cristo. Trata-se, essencialmente, do relato de uma morte violenta. Notícias de mortes, e mortes violentas, quase nunca faltam nos noticiários vespertinos. Também nestes últimos dias, temos escutado tais notícias, como a dos 38 cristãos coptas assassinados no Egito no Domingo de Ramos. Estas notícias se sucedem com tal rapidez, que nos fazem esquecer, a cada noite, as do dia anterior. Por que, então, após 2000 anos, o mundo ainda recorda, como se tivesse acontecido ontem, a morte de Cristo? É que esta morte mudou para sempre o rosto da morte; ela deu um novo sentido à morte de cada ser humano.
Sobre ela, reflitamos por um momento. “Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água” (Jo 19, 33-34). No início do seu ministério, àqueles que lhe perguntavam com qual autoridade ele expulsava os vendedores do templo, Jesus disse: “Destruí este templo e em três dias eu o levantarei”. “Ele falava do templo do seu corpo” (Jo 2, 19. 21), havia comentado João naquela ocasião, e eis que agora o próprio evangelista nos diz que do lado deste templo “destruído” jorram água e sangue. É uma clara alusão à profecia de Ezequiel que falava do futuro templo de Deus, daquele lado do qual jorra um fio de água que se torna primeiro um riacho, depois um rio navegável, em torno do qual floresce toda forma de vida. Mas, penetremos no epicentro da fonte deste “rio de água viva” (Jo 7, 38), no coração trespassado de Cristo.
No Apocalipse, o mesmo discípulo que Jesus amava escreve: “Com efeito, entre o trono com os quatro Viventes e os Anciãos, vi um Cordeiro de pé, como que imolado” (Ap 5, 6). Imolado, mas de pé, ou seja, trespassado, mas ressuscitado e vivo. Existe agora, dentro da Trindade e dentro do mundo, um coração humano que bate, não só metaforicamente, mas realmente. Se, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, também o seu coração ressuscitou dentre os mortos; este coração vive, como todo o resto do seu corpo, em uma dimensão diferente da primeira, real, embora mística. Se o Cordeiro vive no céu “imolado, mas de pé”, também o seu coração compartilha o mesmo estado; é um coração trespassado, mas vivente; eternamente trespassado, precisamente porque eternamente vivente. Há uma expressão que foi criada justamente para descrever a profundidade da maldade que pode aglutinar-se no seio da humanidade: “coração de trevas”.
Depois do sacrifício de Cristo, mais profundo do que o coração de trevas, palpita no mundo um coração de luz. Cristo, de fato, subindo ao céu, não abandonou a terra, assim como, encarnando-se, não tinha abandonado a Trindade. “Agora cumpre-se o plano do Pai – diz uma antífona da Liturgia das horas – , fazer de Cristo o coração do mundo”. Isso explica o irredutível otimismo cristão que fez uma mística medieval exclamar: “O pecado é inevitável, mas tudo ficará bem e todo tipo de coisa ficará bem ” (Juliana de Norwich).
Os monges cartuxos adotaram um lema que aparece na entrada de seus mosteiros, nos seus documentos oficiais e em outras ocasiões. Nele está representado o globo terrestre encimado por uma cruz, rodeado pela inscrição: “Stat crux dum volvitur orbis”: A Cruz permanece intacta enquanto o Mundo dá sua órbita. O que é a cruz, para ser esse ponto fixo, este mastro, no meio dos balanços do mundo”? Ela é o “Não” definitivo e irreversível de Deus à violência, à injustiça, ao ódio, à mentira, a tudo aquilo que nós chamamos de “mal”; e é ao mesmo tempo o “Sim” também irreversível ao amor, à verdade, ao bem. “Não” ao pecado, “Sim” ao pecador.
É o que Jesus praticou em toda a sua vida e que agora consagra definitivamente com a sua morte. A razão para esta distinção é clara: o pecador é criatura de Deus e mantém a sua dignidade, apesar de todos os seus desvios; o pecado não; este, é uma realidade espúria, adendo, fruto das próprias paixões e da “inveja do demônio” (Sb 2, 24). É a mesma razão pela qual o Verbo, encarnando-se, assumiu todo do homem, exceto o pecado. O bom ladrão, a quem Jesus moribundo promete o paraíso, é a prova viva de tudo isso. Ninguém deve se desesperar; ninguém deve dizer, como Caim: “Muito grande é a minha culpa para obter o perdão” (Gn 4, 13).
A cruz não “está”, portanto, contra o mundo, mas pelo mundo: para dar um sentido a todo o sofrimento que houve, que há e que haverá na história humana. “Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo – diz Jesus a Nicodemos –, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo 3, 17). A cruz é a proclamação viva de que a vitória final não é de quem triunfa sobre os outros, mas de quem triunfa sobre si mesmo; não daqueles que causam sofrimento, mas daqueles que sofrem.  “Dum volvitur Orbis”, enquanto o mundo dá a sua órbita.
A história humana conhece muitas passagens de uma época para outra: se fala da idade da pedra, do bronze, do ferro, da era Imperial, da era atômica, da era eletrônica. Mas hoje há algo de novo. A ideia de transição já não é suficiente para descrever a realidade atual. A ideia de mutação deve ser combinada com a de fragmentação. Vivemos, alguém escreveu, em uma sociedade “líquida”; não existem mais pontos fixos, valores incontestáveis, nenhuma rocha no mar, à qual possamos nos agarrar, ou contra a qual colidir. Tudo é flutuante.
Realizou-se o pior cenário que o filósofo havia previsto como resultado da morte de Deus, que o advento do super-homem deveria ter impedido, mas que não impediu: “Que fizemos quando desprendemos esta terra da corrente que a ligava ao sol? Para onde vai agora? Para onde vamos nós? Longe de todos os sóis? Não estamos incessantemente caindo? Para diante, para trás, para o lado, para todos os lados? Haverá ainda um acima e um abaixo? Não estaremos errando como num nada infinito?” (F. Nietzsche, A Gaia Ciência, aforismo 125).
Foi dito que “matar Deus é o suicídio mais horrendo”, e é isso que estamos vendo em parte. Não é verdade que “onde Deus nasce, o homem morre” (J.-P Sartre); o oposto é verdadeiro: onde morre Deus, morre o homem. Um pintor surrealista da segunda metade do século passado (Salvador Dalì) pintou um crucifixo que parece uma profecia desta situação. Uma imensa cruz, cósmica, com um Cristo acima, também monumental, visto do alto, com a cabeça inclinada para baixo. Abaixo dele, no entanto, não há nenhuma terra firme, mas a água. O Crucifixo não está suspenso entre o céu e a terra, mas entre o céu e o componente líquido do mundo.
Este quadro trágico (há também, no fundo, uma nuvem que poderia aludir à nuvem atômica), contém, no entanto, uma consoladora certeza: há esperança também para uma sociedade líquida como a nossa! Há esperança, porque acima dela “está a cruz de Cristo”. É o que a liturgia da Sextafeira Santa nos faz repetir todos os anos com as palavras do poeta Venanzio Fortunato: “O crux, ave spe unica”, Salve, ó Cruz, única esperança do mundo. Sim, Deus está morto, morreu em seu Filho Jesus Cristo; mas não ficou no sepulcro, ressuscitou. “Vós o crucificastes – grita Pedro à multidão no dia de Pentecostes –, mas Deus o ressuscitou!” (At 2, 23-24). Ele é aquele que “estava morto, mas agora vive pelos séculos dos séculos” (Ap 1, 18).
A cruz não “está” imóvel no meio das turbulências do mundo” como um lembrete de um evento passado, ou um puro símbolo; está como uma realidade em ato, viva e operante. Tornaríamos vã, no entanto, esta liturgia da Paixão, se ficássemos, como os sociólogos, na análise da sociedade em que vivemos. Cristo não veio para explicar as coisas, mas para mudar as pessoas. O coração de trevas não é apenas aquele de algum malvado escondido no fundo da selva, e nem mesmo aquele da nação e da sociedade que o produziu. Em diferente medida está dentro de cada um de nós.
A Bíblia o chama de coração de pedra, “Tirarei do vosso peito o coração de pedra – diz Deus ao profeta Ezequiel – vos darei um coração de carne ” (Ez 36, 26). Coração de Pedra é o coração fechado à vontade de Deus e ao sofrimento dos irmãos, o coração de quem acumula quantidades ilimitadas de dinheiro e permanece indiferente ao desespero de quem não tem um copo de água para dar ao próprio filho; é também o coração de quem se deixa completamente dominar pela paixão impura, pronto para matar ou a levar uma vida dupla.
Para não ficarmos com o olhar sempre dirigido para o exterior, para os demais, digamos mais concretamente: é o nosso coração de ministros de Deus e de cristãos praticantes se vivemos ainda, basicamente, “para nós mesmos” e não “para o Senhor”. Está escrito que no momento da morte de Cristo “o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo, a terra tremeu, e as rochas se partiram, os túmulos se abriram e muitos corpos de santos mortos ressuscitaram” (Mt 27, 51s.). Destes sinais se dá, normalmente, uma explicação apocalíptica, como de uma linguagem simbólica necessária para descrever o evento escatológico.
Mas eles também têm um significado parenético: indicam o que deve acontecer no coração de quem lê e medita a Paixão de Cristo. Em uma liturgia como esta, São Leão Magno dizia aos fieis: “Trema a natureza humana perante a execução do Redentor, quebrem-se as rochas dos corações infiéis e aqueles que estavam encerrados nos sepulcros de sua mortalidade saiam para fora, levantando a pedra que estava sobre eles” (Sermo 66, 3; PL 54, 366).
O coração de carne, prometido por Deus nos profetas, já está presente no mundo: é o Coração de Cristo trespassado na cruz, aquele que veneramos como “o Sagrado Coração”. Ao receber a Eucaristia, acreditamos firmemente que aquele coração vem bater também dentro de nós. Olhando para a cruz daqui a pouco digamos do profundo do coração, como o publicano no templo: “Meu Deus, tem piedade de mim, pecador!”, e também nós, como ele, voltaremos para casa “justificados” (Lc 18, 13-14).
Traduçao de Thácio Siqueira
Fonte: Zenit


domingo, 9 de abril de 2017

Domingo de Ramos.

Homilia do Papa Francisco/ Domingo de Ramos.        
                    
Esta celebração tem, por assim dizer, duplo sabor: doce e amargo. É jubilosa e dolorosa, pois nela celebramos o Senhor que entra em Jerusalém, aclamado pelos seus discípulos como rei; ao mesmo tempo, porém, proclama-se solenemente a narração evangélica da sua Paixão. Por isso o nosso coração experimenta o contraste pungente e prova, embora numa medida mínima, aquilo que deve ter sentido Jesus no seu coração naquele dia, quando rejubilou com os seus amigos e chorou sobre Jerusalém.
Desde há trinta e dois anos, disse ainda Francisco, que a dimensão jubilosa deste domingo tem sido enriquecida com a festa dos jovens: a Jornada Mundial da Juventude, que, este ano, se celebra a nível diocesano, mas daqui a pouco viverá, nesta Praça, um momento sempre emocionante, de horizontes abertos, com a passagem da Cruz dos jovens de Cracóvia para os do Panamá.
O Evangelho, proclamado antes da procissão (cf. Mt 21, 1-11), apresenta Jesus que desce do Monte das Oliveiras montado num jumentinho, sobre o qual ainda ninguém se sentara; evidencia o entusiasmo dos discípulos, que acompanham o Mestre com aclamações festivas; e pode-se, verosimilmente, imaginar que isso contagiou os adolescentes e os jovens da cidade, que se juntaram ao cortejo com os seus gritos. O próprio Jesus reconhece neste jubiloso acolhimento uma força irreprimível querida por Deus, respondendo assim aos fariseus escandalizados: «Digo-vos que, se eles se calarem, gritarão as pedras» (Lc 19, 40).
Mas este Jesus, adverte o Santo Padre, cuja entrada na Cidade Santa estava prevista precisamente assim nas Escrituras, não é um alguém que vive de ilusões, que apregoa ilusões, um profeta «new age», um vendedor de fumaça. Longe disso! É um Messias bem definido, com a fisionomia concreta do servo, o servo de Deus e do homem que caminha para a paixão; é o grande Padecente da dor humana.
Assim, enquanto festejamos o nosso Rei, pensemos nos sofrimentos que Ele deverá padecer nesta Semana. Pensemos nas calúnias, nos ultrajes, nas ciladas, nas traições, no abandono, no julgamento iníquo, nas bastonadas, na flagelação, na coroa de espinhos... e, por fim, no caminho da cruz até à crucifixão.
Entretanto, sublinha ainda o Papa, Jesus tinha dito claramente aos seus discípulos que tudo isso haveria de acontecer: «Se alguém quer vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me» (Mt 16, 24). Nunca, portanto, prometeu honras nem sucessos. Os Evangelhos são claros. Sempre avisou os seus amigos de que a sua estrada era aquela: a vitória final passaria através da paixão e da cruz. E, para nós, acrescentou ainda o Santo Padre, vale o mesmo. Para seguir fielmente a Jesus, peçamos a graça de o fazer não por palavras mas com as obras, e ter a paciência de suportar a nossa cruz: não a recusar nem jogar fora, mas, com os olhos fixos n’Ele, aceitá-la e carregá-la dia após dia.
E este Jesus, que aceita ser aclamado, mesmo sabendo que O espera o «crucifica-o!», não nos pede para O contemplarmos apenas nos quadros, nas fotografias, ou nos vídeos que circulam na rede. Não. Está presente em muitos dos nossos irmãos e irmãs que hoje, sim hoje, padecem tribulações como Ele: sofrem com um trabalho de escravos, sofrem com os dramas familiares, as doenças... Sofrem por causa das guerras e do terrorismo, por causa dos interesses que se movem por detrás das armas que não cessam de matar. Homens e mulheres enganados, violados na sua dignidade, descartados.... Jesus está neles, em cada um deles, e com aquele rosto desfigurado, com aquela voz rouca, pede para ser enxergado, reconhecido, amado.
Finalmente, Francisco adverte que não há outro Jesus: é o mesmo que entrou em Jerusalém por entre o acenar de ramos de palmeira e oliveira. É o mesmo que foi pregado na cruz e morreu entre dois malfeitores. Não temos outro Senhor para além d’Ele: Jesus, humilde Rei de justiça, misericórdia e paz. 


Início da Celebração Eucarística.

Início da Celebração Eucarística.

Início da Celebração Eucarística.

Proclamação do Evangelho, feita pelo Pe. Jânison (reitor)

Início da Celebração Eucarística.

Procissão de Ramos.


Procissão de Ramos.

Procissão de Ramos.


Procissão de Ramos.

Procissão de Ramos.


Celebração Eucarística.

Celebração Eucarística.

Celebração Eucarística.

Evangelho....

Celebração Eucarística.

Pe. Alan (vice retor) Homilia. 

Celebração Eucarística.

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Celebração Eucarística.



Celebração Eucarística.

Seminaristas e formadores após a Celebração Eucarística.
Fonte: Rádio Vaticano.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Visita do Arcebispo Dom João José Costa

Nesta quinta-feira (6), o Seminário Maior de Aracaju - SE recebeu a visita do Arcebispo, Dom João José Costa, onde o mesmo presidiu a celebração Eucarística. Estavam presentes os padres Jânison (reitor) e Alan (vice-reitor), como também os seminaristas.    



Celebração Eucarística. 
Celebração Eucarística.


Celebração Eucarística.

Celebração Eucarística.

Proclamação do Evangelho, Pe. Jânison  

Celebração Eucarística.

Homilia.

Celebração Eucarística.

Celebração Eucarística.

Arcebispo Dom João, Pe. Alan, Pe. Jânison, seminaristas: Lucas Rafael, João Antônio, Elenilson e Lucas.