quarta-feira, 13 de maio de 2009

Especial: Aparições de Nossa Senhora em Fátima - 6

A multidão rezava o terço quando, à hora habitual, Nossa Senhora apareceu sobre a azinheira:
- Que é que Vossemecê me quer?
- Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra; que sou a Senhora do Rosário; que continuem sempre a rezar o Terço todos os dias. A guerra vai acabar, e os militares voltarão em breve para suas casas.
- Eu tinha muitas coisas para lhe pedir: se curava uns doentes e se convertia uns pecadores, etc. ...
- Uns sim, outros não. É preciso que se emendem; que peçam perdão dos seus pecados. Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido.
Nesse momento, abriu as mãos e fez com que elas se refletissem no Sol, e começou a Se elevar, desaparecendo no firmamento. Enquanto Se elevava, o reflexo de sua própria luz se projetava no Sol. Os pastorinhos então viram, ao lado do Sol, o Menino Jesus com São José e Nossa Senhora. São José e o Menino traçavam com a mão gestos em forma de cruz, parecendo abençoar o mundo. Desaparecida esta visão, Lúcia viu Nosso Senhor a caminho do Calvário e Nossa Senhora das Dores. Ainda uma vez Nosso Senhor traçou com a mão um sinal da Cruz, abençoando a multidão. Por fim aos olhos de Lúcia apareceu Nossa Senhora do Carmo com o Menino Jesus ao colo, com aspecto soberano e glorioso.
As três visões recordaram, assim, os Mistérios gososos, os dolorosos e os gloriosos do Santo Rosário. O milagre do Sol Enquanto se passavam essas cenas, a multidão espantada assistiu ao grande milagre prometido pela Virgem para que todos cressem. No momento em que Ela se elevava da azinheira e rumava para o nascente, o Sol apareceu por entre as nuvens, como um grande disco prateado, brilhando com fulgor fora do comum, mas sem cegar a vista. E logo começou a girar rapidamente, de modo vertiginoso. Depois parou algum tempo e recomeçou a girar velozmente sobre si mesmo, à maneira de uma imensa bola de fogo. Seus bordos tornaram-se, a certa altura, avermelhados e o Astro-Rei espalhou pelo céu chamas de fogo num redemoinho espantoso. A luz dessas chamas se refletia nos rostos dos assistentes, nas árvores, nos objetos todos, os quais tomavam cores e tons muito diversos, esverdeados, azulados avermelhados, alaranjados etc.
A 13 de outubro, era imensa a multidão que acorrera à Cova da Iria: 50 a 70 mil pessoas. A maior parte chegara na véspera e ali passara a noite. Chovia torrencialmente e o solo se transformara num imenso lodaçal.
Três vezes o Sol, girando loucamente diante dos olhos de todos, se precipitou em ziguezague sobre a terra, para pavor da multidão que, aterrorizada, pedia a Deus perdão por seus pecados e misericórdia.
O fenômeno durou cerca de 10 minutos . Todos o viram, ninguém ousou pô-lo em dúvida, nem mesmo livres-pensadores e agnósticos que ali haviam acorrido por curiosidade ou para zombar da credulidade popular.
Não se tratou, como mais tarde imaginaram pessoas sem fé, de um fenômeno de sugestão ou excitação coletiva, porque foi visto a até 40 km de distância, por muitas pessoas que estavam fora do local da aparições e portanto fora da área de influência de uma pretensa sugestão ou excitação.
Mais um pormenor espantoso notado por muitos: as roupas, que se encontravam encharcadas pela chuva no início do fenômeno, haviam secado prodigiosamente minutos depois.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Especial: Aparições de Nossa Senhora em Fátima - 5

A 13 de setembro, já eram 15 ou 20 mil as pessoas presentes no local das aparições.
A Virgem assim falou:
- Continuem a rezar o Terço, para alcançarem o fim da guerra. Em outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, São José com o Menino Jesus, para abençoarem o mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda.Trazei-a só durante o dia.
- Têm-me pedido para Lhe pedir muitas coisas: a cura de alguns doentes, de um surdo-mudo.
- Sim, alguns curarei. Outros, não, em outubro farei o milagre para que todos acreditem.
Em seguida, começou a se elevar e desapareceu no firmamento.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Especial: Aparições de Nossa Senhora em Fátima - 4

Os três pastorinhos foram sequestrados, na manhã do dia 13 de agosto, pelo administrador de Ourém, a cuja jurisdição pertencia Fátima. Ele achava que os segredos de Nossa Senhora se referiam a um acontecimento político que abaria com a República, recém instalada em Portugal.
Como eles nada revelaram do segredo - mesmo tendo sido deixados sem comida, presos juntamente com criminosos comuns e sofrido forte pressão -, o truculento administrador acabou por desistir do intento e devolveu os videntes a suas famílias.
Mas com isso, eles tinham perdido a visita da Bela Senhora, que descera à cova de Iria, mas não os encontrara.Dois dias depois, entretanto, a Virgem novamente lhes apareceu,em um local chamado Valinhos.
Como das outras vezes, seguiu-se o diálogo:
- Que é que Vossemecê me quer?- Quero que continueis a ir à Cova da Iria no dia 13; que continueis a rezar o Terço todos os dias. No último mês, farei o milagre para que todos acreditem.
- Que é que Vossemecê quer que se faça ao dinheiro que o povo deixa na Cova da Iria?
- Façam dois andores. Um, leva-o tu com a Jacinta e mais duas meninas, vestidas de branco; o outro, que leve o Francisco com mais três meninos. O dinheiro dos andores é para a festa de Nossa Senhora do Rosário; e o que sobrar é para a ajuda de uma capela, que hão de mandar fazer.
- Queria pedir-Lhe a cura de alguns doentes.
- Sim, alguns curarei durante o ano. Rezai, rezai muito; e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno, por não haver quem se sacrifique e peça por elas.
Em seguida, como de costume, começou a se elevar e desapareceu na direção do nascente.

domingo, 10 de maio de 2009

Especial: Aparições de Nossa Senhora em Fátima - 3

A 13 de julho, mais de 2 mil pessoas haviam comparecido à Cova da Iria.
As pessoas presentes notaram uma nuvenzinha de cor acinzentada pairando sobre a azinheira; notaram também que o sol se ofuscou e um vento fresco soprou, aliviando o calor daquele auge de verão.
Novamente foi Lúcia que iniciou a conversação:
- Vossemecê que me quer?
- Quero que venham aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem a rezar o Terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer.
- Queria pedir-lhe para nos dizer Quem é; para fazer um milagre com que todos acreditem que Vossemecê nos aparece.
- Continuem a vir aqui, todos os meses. Em outubro direi Quem sou, o que quero, e farei um milagre que todos hão de ver para acreditar.
Lucia fez então alguns pedidos de graças e curas. Nossa Senhora respondeu que deviam rezar o Terço para alcançarem as graças durante o ano.
Depois, prosseguiu:
- Sacrificai-vos pelos pecadores, e dizei muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores, e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.
Deu-se então a visão do Inferno, descrita, anos depois, pela Irmã Lúcia. Esta visão constitui a primeira parte do Segredo de Fátima, revelada apenas em 1941, assim como a segunda parte a seguir:
Após a terrível visão do inferno, os três pastorinhos levantaram os olhos para Nossa Senhora, como que para pedir socorro, e Ela, com bondade e tristeza, prosseguiu:
- Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar. Mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior.Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá, de que vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem aos meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja.Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, e ela se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal, se conservará sempre o Dogma de Fé; etc... Aqui se insere a terceira parte do Segredo de Fátima, revelada em 13 de maio de 2000.- Isso não digais a ninguém. Ao Francisco sim, podes dizê-lo.
Após uma pausa prosseguiram:
- Quando rezardes o terço, dizei depois de cada mistério: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem.
- Vossemecê não me quer mais nada?
- Não. Hoje não te quero mais nada.
E como das outras vezes, começou a se elevar com majestade na direção do nascente, até desaparecer por completo.

sábado, 9 de maio de 2009

Especial - Aparições de Nossa Senhora em Fátima - 2

A 13 de junho, os videntes não estavam sós, mais 50 pessoas haviam comparecido ao local.
A pequena Jacinta não conseguira guardar o segredo que os três haviam combinado, e se espalhara a notícia da aparição.
Desta vez, foi Lúcia que principiou a falar:
- Vossemecê que me quer?
- Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que rezeis o terço todos os dias, e que aprendais a ler. Depois direi o que quero.
Lúcia pediu a Nossa Senhora a cura de um doente.
- Se se converter, curar-se-a durante o ano.
- Queria pedir-lhe para nos levar para o Céu.
- Sim, a Jacinta e o Francisco, levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer Servir-se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação; e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o seu trono.
- Fico cá sozinha?
- Não, filha. E tu sofres muito? Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio, e o caminho que te conduzirá até Deus.
Nossa Senhora, como da primeira vez, elevou-se com majestosa serenidade e foi-se distanciando, rumo ao nascente.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Especial - Aparições de Nossa Senhora em Fátima

Estamos aproveitando o mês de Maio, consagrado à Virgem Maria, para em seis postagens, expor o conteúdo das aparições de Nossa Senhora em Fátima-Portugal, no ano de 1917. Esperamos que aproveitem o conteúdo espiritual aí contido!
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Quando Nossa Senhora apareceu pela primeira vez em Fátima, no dia 13 de maio de 1917, Lúcia acabara de completar 10 anos; Francisco estava para completar 9; e Jacinta, a menor, tinha pouco mais de 7 anos.
As aparições de Nossa Senhora se deram habitualmente na Cova da Iria, numa propriedade do pai de Lúcia, situada a 2,5Km de Fátima. A mãe de Deus aparecia por volta do meio-dia, sobre uma azinheira de pouco mais de um metro de altura.
Por algum misterioso desígnio de Deus, as três crianças foram privilegiadas, mas desigualmente: as três viam Nossa Senhora, mas Francisco não A ouvia; Jacinta A via e ouvia, mas não lhe falava; Lúcia via e ouvia a Santíssima Virgem, e também falava com ela.
Os pastorinhos estavam, naquele dia 13, brincando de construir uma casinha de pedras em redor de uma moita quando, de repente, brilhou uma luz muito intensa.
Num primeiro momento pensaram que tinha sido um relâmpago, mas pouco depois avistaram, sobre uma azinheira, "uma Senhora, vestida toda de branco, mais brilhante que o Sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do Sol mais ardente".
As crianças, surpreendidas, pararam bem perto da Senhora, dentro da luz que a envolvia. Nossa Senhora então deu início a seguinte conversação com Lúcia:
- Não tenhais medo. Eu não vos faço mal.
- De onde é Vossemecê?- Sou do Céu.- E que é que Vossemecê quer?
- Vim para vos pedir que venhais aqui seis meses seguidos, no dia 13, a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero. Depois, voltarei ainda aqui uma sétima vez.
- E eu vou para o Céu?- Sim, vais.
- E a Jacinta?- Também.- E o Francisco?
- Também; mas tem que rezar muitos Terços.
Lucia lembrou-se então de perguntar por duas jovens suas amigas que haviam falecido pouco tempo antes:
- A Maria das Neves já está no Céu?
- Sim, está.
- E a Amélia?
- Estará no Purgatório até o fim do mundo.
Nossa Senhora fez então um convite explícito aos pastorinhos:
- Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e de súplica pela conversão dos pecadores?
- Sim, queremos.
- Ide, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto.
Nossa Senhora ainda acrescentou:
"Rezem o Terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra".
Depois, começou a Se elevar majestosamente pelos ares na direção do nascente, até que desapareceu.

terça-feira, 31 de março de 2009

MENSAGEM DO SANTO PADRE PARA O 46º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

«A confiança na iniciativa de Deus e a resposta humana»

Venerados irmãos no episcopado e no sacerdócio,
queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião do próximo Dia Mundial de Oração pelas Vocações ao sacerdócio e à vida consagrada, que será celebrado no IV Domingo de Páscoa, dia 3 de Maio de 2009, desejo convidar todo o Povo de Deus a reflectir sobre o tema: A confiança na iniciativa de Deus e a resposta humana. Não cessa de ressoar na Igreja esta exortação de Jesus aos seus discípulos: «Rogai ao Senhor da messe que envie trabalhadores para a sua messe» (Mt 9, 38). Pedi! O premente apelo do Senhor põe em evidência que a oração pelas vocações deve ser contínua e confiante. De facto, só animada pela oração é que a comunidade cristã pode realmente «ter maior fé e esperança na iniciativa divina» (Exort. ap. pós-sinodal Sacramentum caritatis, 26).

A vocação ao sacerdócio e à vida consagrada constitui um dom divino especial, que se insere no vasto projecto de amor e salvação que Deus tem para cada pessoa e para a humanidade inteira. O apóstolo Paulo – que recordamos de modo particular durante este Ano Paulino comemorativo dos dois mil anos do seu nascimento –, ao escrever aos Efésios, afirma: «Bendito seja o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, do alto dos céus, nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. Foi assim que n’Ele nos escolheu antes da constituição do mundo, para sermos santos e imaculados diante dos seus olhos» (Ef 1, 3-4). Dentro da vocação universal à santidade, sobressai a peculiar iniciativa de Deus ter escolhido alguns para seguirem mais de perto o seu Filho Jesus Cristo tornando-se seus ministros e testemunhas privilegiadas. O divino Mestre chamou pessoalmente os Apóstolos «para andarem com Ele e para os enviar a pregar, com o poder de expulsar demónios» (Mc 3, 14-15); eles, por sua vez, agregaram a si mesmos outros discípulos, fiéis colaboradores no ministério missionário. E assim no decorrer dos séculos, respondendo à vocação do Senhor e dóceis à acção do Espírito Santo, fileiras inumeráveis de presbíteros e pessoas consagradas puseram-se ao serviço total do Evangelho na Igreja. Dêmos graças ao Senhor, que continua hoje também a convocar trabalhadores para a sua vinha. Se é verdade que, em algumas regiões, se regista uma preocupante carência de presbíteros e que não faltam dificuldades e obstáculos no caminho da Igreja, sustenta-nos a certeza inabalável de que esta é guiada firmemente nas sendas do tempo rumo à realização definitiva do Reino por Ele, o Senhor, que livremente escolhe e convida a segui-Lo pessoas de qualquer cultura e idade, segundo os insondáveis desígnios do seu amor misericordioso.

Por conseguinte o nosso primeiro dever é manter viva, através de uma oração incessante, esta invocação da iniciativa divina nas famílias e nas paróquias, nos movimentos e nas associações empenhados no apostolado, nas comunidades religiosas e em todas as articulações da vida diocesana. Devemos rezar para que todo o povo cristão cresça na confiança em Deus, sabendo que o «Senhor da messe» não cessa de pedir a alguns que livremente disponibilizem a sua existência para colaborar mais intimamente com Ele na obra da salvação. Entretanto, por parte daqueles que são chamados, exige-se-lhes escuta atenta e prudente discernimento, generosa e pronta adesão ao projecto divino, sério aprofundamento do que é próprio da vocação sacerdotal e religiosa para lhe corresponder de modo responsável e convicto. A propósito, o Catecismo da Igreja Católica recorda que a livre iniciativa de Deus requer a resposta livre do ser humano. Uma resposta positiva que sempre pressupõe a aceitação e partilha do projecto que Deus tem para cada um; uma resposta que acolhe a iniciativa amorosa do Senhor e se torna, para quem é chamado, exigência moral vinculativa, homenagem de gratidão a Deus e cooperação total no plano que Ele prossegue na história (cf. n. 2062).

Ao contemplar o mistério eucarístico – onde se exprime sumamente o dom concedido livremente pelo Pai na Pessoa do Filho Unigénito pela salvação dos homens, e a disponibilidade plena e dócil de Cristo para beber completamente o «cálice» da vontade de Deus (cf. Mt 26, 39) – compreendemos melhor como «a confiança na iniciativa de Deus» molde e dê valor à «resposta humana». Na Eucaristia, dom perfeito que realiza o amoroso projecto da redenção do mundo, Jesus imola-Se livremente pela salvação da humanidade. «A Igreja – escreveu o meu amado predecessor João Paulo II – recebeu a Eucaristia de Cristo seu Senhor, não como um dom, embora precioso, entre muitos outros, mas como o dom por excelência, porque dom d’Ele mesmo, da sua Pessoa na humanidade sagrada, e também da sua obra de salvação» (Carta enc. Ecclesia de Eucharistia, 11).

Quem está destinado a perpetuar este mistério salvífico ao longo dos séculos, até ao regresso glorioso do Senhor, são os presbíteros, que podem precisamente contemplar em Cristo eucarístico o modelo exímio de um «diálogo vocacional» entre a livre iniciativa do Pai e a resposta confiante de Cristo. Na celebração eucarística, é o próprio Cristo que age naqueles que Ele escolhe como seus ministros; sustenta-os para que a sua resposta cresça numa dimensão de confiança e de gratidão que dissipe todo o medo, mesmo quando se faz mais intensa a experiência da própria fraqueza (cf. Rm 8, 26-30), ou o ambiente se torna mais hirto de incompreensão ou até de perseguição (cf. Rm 8, 35-39).

A consciência de sermos salvos pelo amor de Cristo, que cada Eucaristia alimenta nos crentes e de modo especial nos sacerdotes, não pode deixar de suscitar neles um confiante abandono a Cristo que deu a vida por nós. Deste modo, acreditar no Senhor e aceitar o seu dom leva a entregar-se a Ele com ânimo agradecido aderindo ao seu projecto salvífico. Se tal acontecer, o «vocacionado» de bom grado abandona tudo e entra na escola do divino Mestre; inicia-se então um fecundo diálogo entre Deus e a pessoa, um misterioso encontro entre o amor do Senhor que chama e a liberdade do ser humano que Lhe responde no amor, sentindo ressoar no seu espírito as palavras de Jesus: «Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi e vos nomeei para irdes e dardes fruto, e o vosso fruto permanecer» (Jo 15, 16).

Este amoroso enlace entre a iniciativa divina e a resposta humana está presente também, de forma admirável, na vocação à vida consagrada. Recorda o Concílio Vaticano II: «Os conselhos evangélicos de castidade consagrada a Deus, de pobreza e de obediência, visto que fundados sobre a palavra e o exemplo de Cristo e recomendados pelos Apóstolos, pelos Padres, Doutores e Pastores da Igreja, são um dom divino, que a mesma Igreja recebeu do seu Senhor e com a sua graça sempre conserva» (Const. dogm. Lumen gentium, 43). Temos de novo aqui Jesus como o modelo exemplar de total e confiante adesão à vontade do Pai para onde deve olhar a pessoa consagrada. Atraídos por Ele muitos homens e mulheres, desde os primeiros séculos do cristianismo, abandonaram a família, os haveres, as riquezas materiais e tudo aquilo que humanamente é desejável, para seguir generosamente a Cristo e viver sem reservas o seu Evangelho, que se tornou para eles escola de radical santidade. Ainda hoje são muitos os que percorrem este itinerário exigente de perfeição evangélica, e realizam a sua vocação na profissão dos conselhos evangélicos. O testemunho destes nossos irmãos e irmãs, tanto nos mosteiros de vida contemplativa como nos institutos e nas congregações de vida apostólica, recorda ao povo de Deus «aquele mistério do Reino de Deus que já actua na história, mas aguarda a sua plena realização nos céus» (Exort. ap. pós-sinodal Vita consecrata, 1).

Quem pode considerar-se digno de ingressar no ministério sacerdotal? Quem pode abraçar a vida consagrada contando apenas com os seus recursos humanos? Mais uma vez convém reafirmar que a resposta da pessoa à vocação divina – sempre que se esteja consciente de que é Deus a tomar a iniciativa e é Ele também a levar a bom termo o seu projecto salvífico – não se reveste jamais do cálculo medroso do servo preguiçoso, que por medo escondeu na terra o talento que lhe fora confiado (cf. Mt 25, 14-30), mas exprime-se numa pronta adesão ao convite do Senhor, como fez Pedro quando, apesar de ter trabalhado toda a noite sem nada apanhar, não hesitou em lançar novamente as redes confiando na palavra d’Ele (cf. Lc 5, 5). Sem abdicar de forma alguma da responsabilidade pessoal, a resposta livre do homem a Deus torna-se assim «corresponsabilidade», responsabilidade em e com Cristo, em virtude da acção do seu Santo Espírito; faz-se comunhão com Aquele que nos torna capazes de dar muito fruto (cf. Jo 15, 5).

Emblemática resposta humana, repleta de confiança na iniciativa de Deus, é o «Amen» generoso e total da Virgem de Nazaré, pronunciado com humilde e decidida adesão aos desígnios do Altíssimo, que lhe foram comunicados pelo mensageiro celeste (cf. Lc 1, 38). O seu «sim» pronto permitiu-Lhe tornar-Se a Mãe de Deus, a Mãe do nosso Salvador. Maria, depois deste primeiro «fiat», teve de o repetir muitas outras vezes até ao momento culminante da crucifixão de Jesus, quando «estava junto à cruz», como refere o evangelista João, compartilhando o sofrimento atroz do seu Filho inocente. E foi precisamente da cruz que Jesus agonizante no-La deu como Mãe e a Ela nos entregou como filhos (cf. Jo 19, 26-27) – Mãe especialmente dos sacerdotes e das pessoas consagradas. A Ela quero confiar todos quantos sentem o chamamento de Deus para caminhar pela senda do sacerdócio ministerial ou da vida consagrada.

Queridos amigos, não desanimeis perante as dificuldades e as dúvidas; confiai em Deus e segui fielmente Jesus e sereis as testemunhas da alegria que brota da união íntima com Ele. À imitação da Virgem Maria, que as gerações proclamam bem-aventurada porque acreditou (cf. Lc 1, 48), empenhai-vos com toda a energia espiritual na realização do projecto salvífico do Pai celeste, cultivando no vosso coração, como Ela, a capacidade de maravilhar-se e adorar Aquele que tem o poder de fazer «grandes coisas», porque Santo é o seu nome (cf. Lc 1, 49).

Vaticano, 20 de Janeiro de 2009.

BENEDICTUS PP. XVI

quarta-feira, 25 de março de 2009

25 de Março dia Internacional do Nascituro

O que é o dia do nascituro?

O que é nascituro?




do Lat. nasciturus. m., aquele que há-de nascer;adj., gerado, mas ainda não nascido.

Essa data é comemorada internacionalmente e também é chamada de "Dia do direito de nascer", "Dia da criança por nascer", "Dia da vida antes de nascer", "Dia da criança concebida" e "Dia da criança ainda não nascida".

É um dia especial em homenagem ao novo ser humano, à criança, que ainda vive dentro da barriga da mãe, e que tem o direito à proteção de sua vida e saúde, à alimentação, ao respeito e a um nascimento sadio. E, principalmente, o direito de nascer e de ser amado.

O seu objetivo é suscitar nas consciências, nas famílias e na sociedade, o reconhecimento do sentido e valor da vida humana em todos os seus momentos.


O porquê desse dia?


Porque são muitos os riscos que essa criança corre. Nem sempre proporcionam os devidos cuidados à mãe dessa criança, garantindo-lhe assistência médica durante a gravidez e os meios adequados para um bom parto.

Porque justamente enquanto esse novo ser humano está onde deveria estar mais seguro, na barriga da mãe, ele corre o risco de que lhe tirem a vida através do ato criminoso do aborto.

Porque muitos nem terão direito a conviver com sua mãe, por pouco que seja, vítimas que serão de experimentos dito "científicos" de clonagem, ou serão "congelados", alguns até destruídos, enquanto ficam à espera de que sua mãe aceite recebe-los em sua barriga.


25 de Março


Esse dia foi escolhido porque nele é celebrado a Anunciação: a notícia, levada pelo Arcanjo Gabriel a Maria, de que Deus a havia escolhido para ser mãe do Redentor. O que leva consigo a proteção do nascituro desde o momento da concepção.


A comemoração do Dia do Nascituro no Brasil

No Congresso Nacional, o deputado federal Severino Cavalcanti (PPB/PE), apresentou o Projeto de Lei N.º 947/1999 que "institui o Dia do Nascituro, a ser festejado no dia 25 de março de cada ano, e prescreve medidas a serem adotadas pelos poderes a que se refere, para efeito da respectiva comemoração". O projeto atualmente está tramitando pela Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF), já recebeu um parecer favorável, mas ainda não foi oficializado desde essa data, apesar de todos os esforços.

A CNBB propõe a celebração da Semana da Vida que vai de 01 a 07 de outubro, já que o dia 08 é o Dia do Nascituro, no Brasil. O enfoque é a vida humana desde seu início na fecundação até seu fim natural. Os dois estágios mais frágeis da vida são os mais atacados: a vida do embrião no útero materno e a vida do idoso, especialmente, do idoso doente.



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

HOMILIA DO PAPA PARA O RITO DAS CINZAS

Queridos irmãos e irmãs!Hoje, Quarta-feira de Cinzas - porta litúrgica que introduz à Quaresma – os textos predispostos para a celebração traçam, embora sumariamente, toda a fisionomia do tempo quaresmal. A Igreja se preocupa em mostrar-nos qual deve ser a orientação do nosso espírito e nos fornece os subsídios divinos para percorrer, com decisão e coragem, iluminados, desde já, pelo fulgor do Mistério pascal, o singular itinerário espiritual que estamos iniciando.
“Retornem a mim com todo o coração”! O apelo à conversão emerge como tema dominante em todas as partes da liturgia de hoje.Na antífona da entrada se diz que o Senhor esquece e perdoa os pecados dos que se convertem.Na coleta, ele convida o povo cristão a rezar, para que cada um empreenda “um caminho de verdadeira conversão”.


Na primeira leitura, o profeta Joel exorta a retornar ao Pai “com todo o coração, com jejuns, com prantos e lamentações... porque ele é misericordioso e piedoso, lento na ira, grande no amor, pronto a emendar-se em relação ao mal e rico em benevolência”. A promessa de Deus é clara:: se o povo escutar o convite a converter-se, Deus fará triunfar a sua misericórdia e os seus amigos serão cumulados de inúmeros favores.Com o Salmo responsorial, a assembléia litúrgica faz suas as invocações do Salmo 50, de renovar em nós “um espírito firme”.


Depois, a página evangélica, na qual Jesus - ao advertir sobre a traça da vaidade, que traz a ostentação e a hipocrisia, a superficialidade e auto-complacência - reafirma a necessidade de nutrir a retidão do coração. Ele mostra, ao mesmo tempo, a maneira para crescer nesta pureza de intenções: cultivar a intimidade com o Pai celeste.


Particularmente agradável neste ano jubilar, comemorativo do bimilenário do nascimento de São Paulo, contemplamos a palavra da segunda Carta aos Coríntios: “Suplicamo-lhes, em nome de Cristo: deixem-se reconciliar com Deus”. Este convite do Apóstolo soa como um ulterior estímulo para levar a sério o apelo quaresmal à conversão. Paulo experimentou, de modo extraordinário, o poder da graça de Deus, a graça do Mistério pascal da qual a própria quaresma vive. Ele se apresenta a nós como “embaixador” do Senhor. Quem, então, melhor do que ele, pode ajudar-nos a percorrer de modo frutuoso este itinerário de conversão interior?Na primeira Carta a Timóteo, o Apóstolo escreve: “Jesus Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores, o primeiro dos quais sou eu”. E acrescenta: “Mas, precisamente por isso obtive misericórdia, porque Jesus Cristo quis demonstrar, primeiramente em mim, toda a sua magnanimidade, para que eu servisse de exemplo para aqueles que teriam acreditado nele para ter a vida eterna.


Portanto, o Apóstolo está consciente de ter sido escolhido como exemplo: exemplo que diz respeito exatamente à conversão, à transformação da sua vida, ocorrida graças ao amor misericordioso de Deus. “Antes, eu era um blasfemo, um perseguidor, um violento... assim, a graça de Nosso Senhor superabundou. Toda a sua pregação e, ainda antes, toda a sua existência missionária, foram sustentadas por um impulso interior, que pode ser comparada à experiência fundamental da “graça”. “Pela graça de Deus, eu sou aquele que sou – escreve Paulo aos Coríntios... – labutei mais que todos eles (os apóstolos). Porém, não eu, mas a graça de Deus que está em mim”.


Trata-se de uma consciência que emerge em todos os seus escritos e funcionou como uma “leva” interior, sobre a qual Deus pôde agir para impeli-lo mais para a frente, rumo a ulteriores confins não apenas geográficos, mas também espirituais.


São Paulo reconhece que tudo que atua nele é obra da graça divina, mas não esquece que é preciso aderir livremente ao dom da vida nova recebida no Batismo. No texto do capítulo 6, da Carta aos Romanos, que será proclamado na Vigília pascal, escreve: “Que o pecado não reine mais em seus corpos mortais, a ponto de submetê-los a seus desejos. Não ofereçam ao pecado os seus membros como instrumentos de injustiça, mas se ofereçam a Deus como seres vivos, retornados dos mortos, e os seus membros a Deus como instrumentos de justiça”.Nestas palavras, encontramos o programa da Quaresma, segundo a sua perspectiva batismal intrínseca. De um lado, afirma-se a vitória de Cristo sobre o pecado, ocorrida uma vez por todas com a sua morte e ressurreição; de outro, somos exortados a não oferecer ao pecado os nossos membros, isto é, a não conceder, por assim dizer, espaço de represália ao pecado. A vitória de Cristo espera que o discípulo a faça sua e isto acontece, antes de tudo, com o Batismo, mediante o qual, unidos a Jesus tornamo-nos “seres vivos retornados dos mortos”. Para que Jesus possa reinar plenamente no batizado, ele deve seguir fielmente os seus ensinamentos; ele nunca deve desanimar, para não permitir que o adversário ganhe terreno.Mas, como levar a cumprimento a vocação batismal? Como ser vitoriosos na luta entre a carne e o espírito, entre o bem e o mal, luta que marca a nossa existência?No trecho evangélico, o Senhor nos indica, hoje, três meios úteis: a oração, a esmola e o jejum.Na experiência e nos escritos de São Paulo encontramos também referências úteis. Em relação à oração, ele exorta a “perseverar” e a “vigiar nela, dando graças", a “rezar ininterruptamente".No que se refere à esmola, são certamente importantes as páginas dedicadas à grande coleta em favor dos irmãos pobres, mas deve ser ressaltado que, para ele, a caridade é o cume da vida do cristão, o “vínculo da perfeição”. “Acima de todas essas coisas – escreve aos Colossenses - revistam-se da caridade, que as une de modo perfeito”.O Apóstolo não fala expressamente do jejum, mas exorta, porém, muitas vezes, à sobriedade, como característica de quem é chamado a viver em vigilante espera do Senhor. É bastante interessante também o seu aceno àquela “luta” espiritual, que requer temperança: “todo atleta – escreve aos Coríntios – é disciplinado em tudo; ele o faz para receber a coroa que murcha; nós, ao invés, por uma que dura para sempre”.Eis, portanto, a vocação dos cristãos: ressuscitados com Cristo, eles passaram pela morte e a sua vida se encontra em Deus, por meio de Cristo. Para viver esta “nova” existência em Deus é indispensável nutrir-se da Palavra de Deus. Jesus o diz claramente, quando responde à primeira das três tentações no deserto, citando o Deuteronômio: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus. São Pulo o havia entendido e, por isso, o recomendava: “Que a palavra de Cristo reine entre vocês na sua riqueza. Com toda sabedoria, instruam-se e exortem-se uns aos outros, com salmos, hinos e cantos inspirados”.


Também nisto o Apóstolo é testemunha: as suas Cartas são a prova eloqüente do fato de que ele vivia da Palavra de Deus: pensamento, ação, oração, teologia, pregação, exortação. Tudo nele era fruto da Palavra, recebida desde a sua juventude pela fé judaica, plenamente desvendada aos seus olhos mediante o encontro com Cristo, morto e ressuscitado, pregada durante o resto da vida, durante o seu “itinerário” missionário. Foi-lhe revelado que Deus pronunciou, em Jesus Cristo, a sua Palavra definitiva, Palavra de salvação, que coincide com o mistério da Cruz. Assim, ele pôde concluir: “Quanto a mim não há nenhuma vanglória, a não ser na cruz de N.S.J.C., por meio da qual o mundo, para mim, foi crucificado, como eu para o mundo”. Para Paulo, a Palavra tornou-se vida e a sua glória é Cristo ressuscitado e ressuscitado.


Queridos irmãos e irmãs, enquanto nos dispomos a receber as cinzas em nossas cabeças, como sinal de conversão e penitência, abramos o nosso coração à ação vivificante da Palavra de Deus. A quaresma, marcada por uma escuta freqüente desta Palavra, por uma intensa oração, por um estilo de vida austero e penitencial, sirva de estímulo à conversão e ao amor sincero para com os irmãos, especialmente os mais pobres e necessitados.


Que o apóstolo Paulo nos acompanhe. Que Maria, Virgem atenciosa da escuta e humilde Serva do Senhor, nos guie. Assim, renovados no espírito, poderemos celebrar, com alegria, a Páscoa. Amém.




(tradução livre de Manoel Tavares).

MENSAGEM DO SANTO PADRE PARA A CF 2009

Cidade do Vaticano, 25 fev (RV) - Mensagem do Papa, enviada pelo Secretário de Estado, Dom Tarcisio Bertone, ao Presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha, arcebispo de Mariana (MG), por ocasião da Campanha da Fraternidade 2009:
“Ao iniciar o itinerário espiritual da Quaresma, a caminho da Páscoa da ressurreição do Senhor, desejo uma vez mais aderir à Campanha da Fraternidade que, neste ano de 2009, está destinada a considerar o lema “A paz é fruto da justiça”. É um tempo de conversão e de reconciliação de todos os cristãos, para que as mais nobres aspirações do coração humano possam ser satisfeitas, e prevaleça a verdadeira paz entre os povos e as comunidades.
Meu Venerável predecessor, o Papa João Paulo II, no Dia Mundial da Paz de 2002, ao ressaltar precisamente que a verdadeira paz é fruto da justiça, fazia notar que “a justiça humana é sempre frágil e imperfeita” devendo ser “exercida e de certa maneira completada com o perdão que cura as feridas e restabelece em profundidade as relações humanas transtornadas”.

O Documento final de Aparecida, ao tratar do Reino de Deus e a promoção da dignidade humana, recordava os sinais evidentes da presença do Reino na vivência pessoal e comunitária das Bem-aventuranças, na evangelização dos pobres, no conhecimento e cumprimento da vontade do Pai, no martírio por causa da fé, no acesso de todos os bens da criação, e no perdão mútuo, sincero e fraterno, aceitando e respeitando a riqueza da pluralidade, e a luta para não sucumbir à tentação e não ser escravos do mal.

A Quaresma nos convida a lutar sem esmorecimento para fazer o bem, precisamente por sabermos como é difícil que nós, os homens, nos decidamos seriamente a praticar a justiça - e ainda falta muito para que a convivência se inspire na paz e no amor, e não no ódio ou na indiferença. Não ignoramos também que, embora se consiga atingir uma razoável distribuição dos bens e uma harmoniosa organização da sociedade, jamais desaparecerá a dor da doença, da incompreensão ou da solidão, da morte das pessoas que amamos, da experiência das nossas limitações.

Nosso Senhor abomina as injustiças e condena quem as comete. Mas respeita a liberdade de cada indivíduo e por isso permite que elas existam, pois fazem parte da condição humana, após o pecado original. Contudo, seu coração cheio de amor pelos homens levou-o a carregar, juntamente com a cruz, todos esses tormentos: o nosso sofrimento, a nossa tristeza, a nossa fome e sede de justiça. Vamos pedir-lhe que saibamos testemunhar os sentimentos de paz e de reconciliação que O inspiraram no Sermão da Montanha, para alcançar a eterna Bem-aventurança.

Com estes auspícios, invoco a proteção do Altíssimo, para que sua mão benfazeja se estenda por todo o Brasil, e que a vida nova em Cristo alcance a todos em sua dimensão pessoal, familiar, social e cultural, derramando os dons da paz e da prosperidade, despertando em cada coração sentimentos de fraternidade e de viva cooperação. Com uma especial Bênção Apostólica”.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

BISPOS LATINO-AMERICANOS ANALISARÃO SITUAÇÃO NOS SEMINÁRIOS

Cidade do Vaticano, 14 fev (RV) – A assembleia plenária da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL) reunir-se-á no Vaticano, de 17 a 20 do corrente, para analisar a atual situação da formação sacerdotal nos seminários do subcontinente. Ao término da reunião, os participantes serão recebidos em audiência por Bento XVI.
A assembléia será dirigida pelo presidente desse organismo vaticano, Cardeal Giovanni Battista Re, enquanto a apresentação do relatório sobre as atividades desempenhadas pela Pontifícia Comissão para a América Latina no período 2007-2009 ficará a cargo de seu vice-presidente, Dom José Octavio Ruiz Arenas, arcebispo emérito de Villavicencio, Colômbia.


Por sua vez, o cardeal-arcebispo de Guadalajara, Juan Sandoval Íñiguez, exporá o panorama de atual situação da formação sacerdotal nos seminários da América Latina – o "continente da esperança", como costumava dizer João Paulo II.


secretário da secção dos Institutos Religiosos, da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, Dom Jean-Louis Bruguès, analisará o magistério pontifício acerca da formação sacerdotal, e os cardeais Juan Luis Cipriani Thorne (arcebispo de Lima), Jorge Mario Bergoglio (arcebispo de Buenos Aires) e Jorge Liberato Urosa Savino (arcebispo de Caracas) participarão de uma mesa-redonda sobre "os pilares da formação sacerdotal e seus desafios". Dessa mesma mesa-redonda participará também o prefeito da Congregação para o Clero, Cardeal Cláudio Hummes.


O arcebispo de Teresina, Dom Sérgio da Rocha, presidente do Departamento de Vocações e Ministério do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM), falará dos desafios e propostas pastorais para a formação sacerdotal, à luz da conferência de Aparecida, de 2007.


O cardeal-arcebispo de Santiago, Chile, Francisco Javier Errázuriz Ossa, falará sobre a Missão Continental. A reunião se concluirá com a elaboração de recomendações pastorais e, no dia 20, encerramento dos trabalhos, os participantes serão recebidos em audiência pelo papa.

PATRIARCA DE MOSCOU, KIRILL, ESCREVE UMA CARTA AO PAPA

Jerusalém, 14 fev (RV) – O Patriarca ortodoxo de Moscou e de todas as Rússias, Kirill, enviou uma carta ao Papa Bento XVI em resposta à sua Mensagem por ocasião da sua eleição como sucessor de Aléxis II.
Em sua carta, Kirill afirma: “Santidade, agradeço-o cordialmente pelas calorosas palavras de felicitações pela minha eleição como Patriarca de Moscou e de todas as Rússias; agradeço também por ter enviado à cerimônia de tomada de posse o Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Cardeal Walter Kasper”.

Obedecendo à vontade de Deus, com humildade e consciência, acrescenta Kirill, aceitei a decisão expressa pela Igreja Ortodoxa russa, de confiar-me a cruz do ministério patriarcal.

Entre as muitas tarefas do Primaz da Igreja Ortodoxa russa, afirma o novo Patriarca de Moscou, uma das prioridades é constituída pela necessidade fundamental de atestar e reconfirmar os valores do Evangelho de Cristo na sociedade contemporânea.

Estou ciente, escreve ainda em sua carta, que para isso devem contribuir o diálogo e a colaboração de todos os que são chamados cristãos.

Seguindo os ensinamentos do Patriarca Alexis II, diz Kirill, asseguro-lhe que a Igreja ortodoxa russa permanecerá imutavelmente aberta à cooperação com os que se declaram seguidores de Jesus e mantêm a visão tradicional dos conteúdos da mensagem que os cristãos devem levar ao mundo contemporâneo.

Entre os colaboradores, conclui a carta de Kirill a Bento XVI, a Igreja Católica de Roma ocupa um lugar particular, representada pela pessoa do Papa. Espero que possa haver um desenvolvimento frutuoso nas relações entre as nossas Igrejas. Desejo-lhe paz, saúde e a ajuda de Deus na sua missão. Com afeto no Senhor.


Assinado:

Kirill, Patriarca de Moscou e de todas as Rússias.